Um marketeer tem de ser um geoestratega, em 2025?

  • Rosália Amorim
  • 6 Janeiro 2025

Os marketeers e os líderes devem continuar atentos ao evoluir do mapa geopolítico, para que consigam acompanhar e, sobretudo, antecipar cenários de mercado. A incerteza é a única certeza para este ano

Os riscos fazem parte de um planeamento estratégico, ou como se diz agora nas universidades que ensinam esta disciplina: o stategizing. Por isso, antes que o futuro apanhe desprevenidas as marcas e as empresas, é importante ter em conta os riscos globais a considerar para este novo ano.

Políticas populistas e extremistas em crescendo, reviravoltas tributárias e uma economia espacial em expansão são tendências mundiais a ter em consideração, para quem se movimenta no mercado internacional. Essas são algumas das antevisões para 2025, identificadas no Outlook da EY, mas há mais nuances de contexto a ter em conta pelos marketeers e também pelos CEO das organizações.

Começando pelo primeiro tema, o crescimento do populismo tenderá a trazer isolacionismo, pondo em causa a globalização, mas também levantando fortes desafios à imigração e às políticas ambientais. A nível global, a criatividade fiscal dos governos tenderá a aumentar por forma a reduzir encargos com a dívida e esse é também um enorme desafio para a rentabilidade das insígnias e suas empresas.

Os temas demográficos irão evidenciar-se e despertarão outros tópicos, como a difícil contratação e a retenção de talento ou o envelhecimento da população. Estas matérias, que até há poucos anos não saiam de uns livros de meia dúzia de visionários da área da gestão, invadiram os planeamentos de estratégia e de marketing, sendo obrigatórios na agenda dos decisores.

Também os desafios do clima serão uma preocupação cada vez maior na gestão. Se a definição do propósito de uma marca já era um imperativo, agora também deve compreender ingredientes verdes na sua composição. A transição energética e a diversidade de fontes de energia não podem ficar esquecidas, ainda para mais tendo em conta a permanente guerra na Ucrânia e a não desistência da Rússia em conquistar territórios naquela região. Os marketeers e os líderes devem continuar atentos ao evoluir do mapa geopolítico, para que consigam acompanhar e, sobretudo, antecipar cenários de mercado. A incerteza é a única certeza para este ano.

Por fim, 2025 é uma boa oportunidade para zelar pela humildade em três exercícios: o mundo está a mudar mais depressa do que alguns desejariam, pelo que não deve ficar agarrado às suas verdades e ideias preconcebidas; segundo, coloque no topo da agenda o verbo aprender repetidamente (aprender, aprender, aprender) e, terceiro, mantenha o pensamento crítico dentro da organização, rodeie-se de pessoas que digam a verdade e pratique o bom princípio de gestão de reunir diferentes perspetivas da incerteza, antes de tomar decisões.

Bom ano novo, cheio de sucessos e confiança!

  • Rosália Amorim
  • brand, marketing & communication director do portuguese cluster da EY

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Um marketeer tem de ser um geoestratega, em 2025?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião