Smart #3 Brabus: O SUV elétrico mais irreverente do mercado
Numa combinação inesperada de potência irracional com elegância, a aposta desportiva da Smart torna este SUV num brinquedo irresistível para quem procura emoções fortes ao volante.
- Este artigo integra a 14.ª edição do ECO magazine. Pode comprar aqui.
Quando arranquei no Smart #3 Brabus num semáforo do Parque das Nações, a aceleração brutal pregou-me literalmente ao banco. É este o efeito de 428 cavalos de potência e 543 Nm de binário a serem descarregados instantaneamente nas quatro rodas. O resultado? 3,7 segundos nos 0-100 km/h — uma aceleração digna de superdesportivos, mas num SUV coupé elétrico.
Desde que em 2019 a Daimler estabeleceu uma joint venture 50-50 com a gigante chinesa Geely que a Smart transformou-se por completo. O #3 Brabus é o testemunho perfeito dessa evolução: um SUV coupé de 4,4 metros que mantém algum do ADN da Mercedes-Benz, mas com um toque claramente asiático.
Na cidade, o #3 é suficientemente ágil para contornar os recantos mais bicudos. A suspensão, algo mais firme do que seria ideal para o pavimento lisboeta, revela-se mais adequada quando se entra na A1 em direção a Santarém. Aqui, o conforto da condução numa velocidade de cruzeiro é notável, graças também a um isolamento acústico bem conseguido. No entanto, os sistemas de assistência à condução são algo intrusivos, com alertas constantes que muitos condutores acabarão por desativar.
No interior, chama imediatamente à atenção o amplo teto panorâmico, mas também a qualidade dos materiais, com bancos desportivos em camurça sintética e detalhes específicos Brabus, como os pedais em alumínio. O espaço para os ocupantes dianteiros é generoso, mas atrás a história é diferente — os passageiros altos sentirão a falta de alguns centímetros adicionais.
A bagageira de 370 litros não é demasiadamente pequena, ficando inclusive acima dos seus concorrentes diretos, como o Volvo Ex30 e o Hyundai Kauai, mas fica abaixo do recente BYD Atto 3.
O sistema de infotainment, centrado num ecrã de 12,8 polegadas, é visualmente apelativo com alguma animação, mas exige adaptação. A ausência quase total de botões físicos obriga a múltiplos toques para funções básicas como ajustar a temperatura. Em contrapartida, o painel digital de 9,2 polegadas e o head-up display de 10 polegadas oferecem pontos positivos na condução.
Com uma bateria de 66 kWh, o Smart #3 Brabus promete 415 quilómetros de autonomia WLTP. Na realidade, durante o teste, os consumos elevaram-se facilmente acima dos 20 kWh/100km em condução mais entusiasta — compreensível dada a tentação constante de explorar a sua potência.
Esta é a essência da questão: precisamos realmente de um Smart com mais de 400 cavalos para o dia a dia? A resposta racional é não, claro. Os modelos inferiores da gama #3, com 272 cavalos, serão mais do que suficientes e substancialmente mais económicos que os 53 mil euros exigidos pela versão Brabus. Mas a racionalidade nunca foi o forte da Brabus. Desde 1977 que esta empresa alemã transforma Mercedes em máquinas de potência desmedida. É precisamente esta irreverência que torna o Smart #3
Brabus tão especial — um carro que honra simultaneamente o espírito inovador da Smart e a ‘loucura’ da Brabus.
Para quem procura um elétrico compacto com alma de desportivo e aparência distintiva, o Smart #3 Brabus é uma proposta única num segmento dominado por propostas mais conservadoras como o Tesla Model Y Performance ou o Volvo EX30. Excesso? Talvez. Mas que delicioso excesso.

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