Carlos Moedas à frente em Lisboa, mas sondagem dá empate técnico com Alexandra Leitão

Coligação de direita colhe 33% das intenções de voto e candidatura socialista 30,4%, uma distância de apenas 2,6 pontos. Indecisos vão ser determinantes para o resultado final.

O atual presidente da Câmara vai à frente na corrida às autárquicas em Lisboa com uma vantagem de 2.6 pontos, mas ainda dentro do chamado empate técnico com a sua principal concorrente, Alexandra Leitão, que lidera a coligação “Viver Lisboa” (PS, Livre, BE e PAN), segundo uma sondagem da Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, ECO, TSF, JN e Sol, divulgada esta quinta-feira.

Carlos Moedas, que encabeça a lista “Por ti, Lisboa” (PSD/CDS e IL), colhe 33% das intenções de voto e a candidata socialista 30,4%, uma distância de menos de três pontos percentuais, o que significa um empate técnico tendo em conta a margem de erro de 4%. Em terceiro lugar, surge a CDU, liderada por João Ferreira, com 9,9%, e, em quarto, o Chega, cuja lista é encabeçada por Bruno Mascarenhas, com 8,2% das intenções de voto.

Quase 15% dos entrevistados estão indecisos. Com a distribuição de indecisos pelas várias forças partidárias, a coligação de Moedas reforça a vantagem nas intenções de voto, com 38,7%, e Alexandra Leitão mantém-se em segundo lugar, com 35,7%, repetindo-se, ainda assim, o empate técnico entre os dois oponentes.

Carlos Moedas colhe mais intenções de voto junto da classe alta e da população jovem e adulta, com idades compreendidas entre 18 e 24 anos e entre 25 e 54 anos. Já Alexandra Leitão consegue captar mais eleitores da classe média baixa e entre os mais idosos, com 65 ou mais anos.

Indecisos à esquerda podem ser determinantes

Analisando a transferência de voto das autárquicas de 2021 para o sufrágio deste ano, verifica-se que Moedas consegue segurar três em quatro eleitores (77,6%) da coligação PSD/CDS/A/MPT/PPM de há quatro anos, mas perde algum eleitorado para o Chega (9,1%).

Relativamente ao Chega, o partido segura também pouco mais de metade dos seus votantes (55,6%) mas mais de um quarto (25,9%) decide desta vez votar na CDU e 14,8% na coligação de Moedas.

Os socialistas retêm apenas metade dos seus votantes (55,4%) e uma boa parte passa para os indecisos (26%). Ou seja, uma fatia considerável que votou em Fernando Medina há quatro anos agora não sabe onde colocar a cruz no boletim de voto. No caso dos comunistas, a coligação também consegue manter pouco mais de metade do seu eleitorado (54%) e quase um quarto (23,8%) foge para a candidatura socialista de Alexandra Leitão.

O número de indecisos à esquerda vai ser determinante para o resultado final das eleições autárquicas em Lisboa. Se houver maior fragmentação, Moedas sairá vencedor, se, pelo contrário, se verificar uma concentração de votos à esquerda na coligação socialista, Alexandra Leitão poderá ganhar a autarquia da capital.

Se compararmos com as legislativas de 2025, a sondagem mostra que o partido de Luís Montenegro, que lidera a coligação “Por ti, Lisboa”, consegue reter a maioria dos eleitores (62,4%) da AD, no entanto uma fatia considerável de 22,3% engrossa a percentagem de indecisos. Alexandra Leitão também segura a maior parte (67,9%) do seu eleitorado das legislativas de 2025, mas 12% passa para indecisos e 8,2% decide votar CDU.

No caso do partido de André Ventura, de salientar que menos de metade (44,1%) dos eleitores das legislativas de 18 de maio tenciona votar na candidatura do Chega, liderada por Bruno Mascarenhas. E uma fatia considerável pensa colocar a cruz na coligação de Alexandra Leitão (24,7%) e na de Carlos Moedas (23,7%). Ou seja, há uma transferência de votos do Chega tanto para para Leitão como para Moedas.

A CDU é a força partidária com mais votos fiéis na comparação entre o sentido de voto das legislativas deste ano e as intenções projetadas para as autárquicas de 12 de outubro. A grande maioria (90,5%) dos que votaram nos comunistas pensa repetir a cruz na coligação PCP/PEV. Mas é de salientar que os restantes 9,5% deverão escolher desta vez a candidatura de Carlos Moedas. Há aqui uma passagem de votos da CDU para a coligação de direita.

O grande mérito da coligação de direita centra-se em Carlos Moedas, apesar do desastre com o elevador da Glória. O atual edil, que está na corrida a um segundo mandato, é considerado pela maioria dos eleitores (41,6%) como o melhor candidato. Mais atrás, surge Alexandra Leitão (19,2%) e depois João Ferreira (16,2%). No entanto, e analisando as candidaturas com melhores propostas, o candidato comunista até ultrapassa a socialista (14,4%), com mais inquiridos (15,7%) a escolher João Ferreira como o mais bem posicionado. Bruno Mascarenhas, do Chega, tem a pior classificação. Quase metade (46,1%) considera que é o candidato mais distante do eleitorado e apenas 3% indicam que é o mais bem preparado.

No cômputo geral, quase metade (49,8%) acha que Carlos Moedas vai ganhar as eleições contra apenas 21% que indicam que a vencedora será Alexandra Leitão.

Desempenho da câmara aprovado, mas sem brilho

Na avaliação ao desempenho da Câmara de Lisboa, de Carlos Moedas, os inquiridos dão uma nota média de 10,8 valores, numa escala de zero a 20. Ou seja, a autarquia passa à tangente, sendo que mais de um terço (34%) reprova e só uma minoria (14%) dá notas elevadas, entre 16 e 20 valores.

Para a maioria dos eleitores de Lisboa as áreas de extrema importância para o próximo presidente da Câmara são, por ordem decrescente: transportes, trânsito e estacionamento; seriedade e transparência na gestão camarária; e manutenção das ruas, estradas e limpeza urbana.

Para o eleitorado do Chega, a “seriedade e transparência na gestão camarária” é de longe a área mais importante, colhendo 85% das preferências dos seus votantes. Também os eleitores da coligação de Carlos Moedas e da lista de Alexandra Leitão elegem esta como a primeira prioridade para o futuro executivo camarário, no entanto a distância é bem mais ténue face à segunda área fundamental e que diz respeito aos “transportes, trânsito e estacionamento”. No caso da CDU, “transportes, trânsito e estacionamento” é a área mais importante, com 81% dos seus eleitores a escolher este dossiê como primeira preocupação.

 

Ficha Técnica:

Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI, CNNPortugal, ECO, TSF e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos eleitores recenseados no concelho de Lisboa sobre temas relacionados com o município. O trabalho de campo decorreu entre os dias 23 e 28 de setembro de 2025.

A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados no concelho de Lisboa e foi devidamente estratificada por género, idade e freguesia. Foram realizadas 1243 tentativas de contacto, para alcançarmos 625 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 50,28%. As 625 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/-4,00% para um nível de confiança de 95,5%.

A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional.

A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

 

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