Número de regiões sem noticiário local em Portugal diminui face a 2022
De acordo com o estudo do LabCom da Universidade da Beira Interior, 45 (14,61%) concelhos do país estão em situação de deserto de notícias. Regiões sem notícias são mais suscetíveis a desinformação.
O número de concelhos em situação de deserto de notícias, regiões sem noticiário local, diminuiu de 54 em 2022 para 45 em 2025, concluiu um estudo do LabCom da Universidade da Beira Interior (UBI).
De acordo com o estudo, 45 (14,61%) concelhos do país estão em situação de deserto de notícias, regiões sem noticiário local, e 38 (12,34%) em situação de semi-deserto, localidades com noticiários locais não frequentes ou ocasionais.
Além destes, o trabalho identificou 87 (28,25%) concelhos ameaçados, uma vez que têm apenas um único meio que produz o noticiário local regular, enquanto 171 (55,52%) apresentam algum nível de problema.
Em comparação com o último relatório de 2022, verificou-se uma redução da totalidade de regiões consideradas desertos de notícias, passando de 54 para 45, embora o número de semi-desertos tenha aumentado de 24 para 38.
O total de concelhos com algum tipo de problema subiu de 78 para 83, os concelhos ameaçados mantiveram-se estáveis (87), enquanto o total de concelhos com problemas aumentou ligeiramente de 166 para 171. Neste sentido, a ausência de meios de comunicação é mais concentrada no interior do país, com destaque para o Alentejo e Trás-os-Montes.
O Alto Alentejo tem apenas nove meios de comunicação para 103 mil habitantes e o Alto Tâmega regista o maior rácio de meios per capita, com 15 meios para 78 mil habitantes.
O litoral e as áreas metropolitanas (Lisboa, Porto e Setúbal) praticamente não têm regiões em situação de deserto de notícias, visto que os concelhos contam com dois ou mais meios que produzem noticiário local regular.
A Grande Lisboa não tem nenhum deserto ou semi-deserto, apenas a Amadora é identificada como um concelho ameaçado.
“Persistem desigualdades territoriais significativas, com concentração de meios em regiões urbanas e litoral, e fragilidade acentuada no interior“, embora o cenário regional seja de estabilidade, referem os investigadores no estudo. Em 01 de junho, Portugal contava com 891 meios de comunicação regionais, dos quais 399 impressos, 263 rádios e 409 digitais.
Assim, os autores do estudo afirmam que o “digital assume-se como suporte dominante e em crescimento, embora com limitações na frequência e qualidade da produção noticiosa em alguns casos“.
O estudo desenvolvido pelo LabCom — Unidade de Investigação em Ciências da Comunicação da UBI teve como objetivo “aprofundar a análise das suas implicações para a cidadania informativa, a democracia e a coesão social”.
Regiões sem notícias são mais suscetíveis a desinformação e crises democráticas
Os territórios sem cobertura noticiosa tendem a registar maior propensão para fenómenos de desinformação, populismo e crises democráticas associadas a uma elevada abstenção eleitoral, segundo um estudo da Universidade da Beira Interior (UBI).
“Os desertos de notícias surgem em regiões distantes dos grandes centros, com baixa atividade económica, onde os antigos jornais não conseguem mais sustentar-se e a região não é atrativa para novos empreendimentos no setor”, começa por ler-se.
Desta forma, “este cenário é particularmente desafiador em tempos de disseminação rápida de desinformação a partir dos media digitais em contexto local”.
Os autores do estudo explicam que os meios de comunicação digitais são vistos como a fonte principal de disseminação de desinformação local, devido à falta de verificação sobre o conteúdo que circula nas redes sociais.
Assim, a ausência de cobertura noticiosa local cria condições favoráveis à proliferação de desinformação, “amplificada pelo funcionamento algorítmico das plataformas digitais, que privilegiam popularidade e interação em detrimento da verificação e do rigor”.
“A emergência de desertos de notícias torna-se particularmente preocupante num contexto em que a desinformação se dissemina rapidamente através das redes sociais digitais, frequentemente sem qualquer filtragem jornalística”, afirmam os investigadores.
Neste sentido, “os territórios sem cobertura noticiosa tendem a registar maior propensão para fenómenos de desinformação, populismo e crises democráticas associadas a taxas elevadas de abstenção eleitoral”.
“A pressão temporal e a escassez de recursos, identificadas em Portugal e Espanha, conduzem ainda a uma dependência excessiva de fontes oficiais”, o que resulta na erosão da esfera pública local e em “democracias casuais”.
Apesar disso, vários estudos apontam que a mitigação da desinformação pode ser eficaz através do fortalecimento dos meios de comunicação locais e do estabelecimento de uma relação de confiança com o público.
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