Quase um terço das empresas foi alvo de fraude. Maioria ainda não usa IA para prevenir

Um estudo da Deloitte revela que 28% das empresas portuguesas reportaram casos de fraude em 2025, numa altura em que mais de 70% continuam a não recorrer à tecnologia para detetar estes eventos.

Quase um terço das empresas portuguesas admite ter sido alvo de fraude no último ano, revela um estudo da Deloitte. Apesar de haver uma maior consciência relativamente a estes eventos e ao seu impacto, Gonçalo Quintino, partner da consultora, explica ao ECO que a maioria continua a não fazer os investimentos necessários, nomeadamente em tecnologia, para os prevenir.

O “Corruption & Fraud Survey 2025” divulgado pela Deloitte conclui que 28% das organizações reportaram casos de fraude no último ano. Por tipologia, são as fraudes em meios de pagamento (45%) que dominam, seguidas pela apropriação indevida de ativos (38%), nomeadamente fenómenos de fraude ou corrupção interna em que, em conluio com partes externas ou isoladamente, são desviados bens da empresa, e os ataques cibernéticos (34%). São eventos que têm impacto direto nas contas das empresas.

De acordo com a consultora, “73% dos inquiridos reconhecem que a ocorrência de eventos de fraude afeta diretamente os resultados financeiros, com a maioria (56%) a estimar que as mesmas têm impacto direto na posição financeira das empresas, entre 0,5% a 2% da receita“.

O estudo, que conta com a participação de mais de 100 inquiridos, revela ainda que amaioria das organizações inquiridas já dispõe de mecanismos de prevenção e deteção de fraude, mantendo-se a tendência verificada nos últimos anos de crescimento na adoção de canais e procedimentos de gestão e monitorização de denúncias, presentes em 91% das empresas (mais sete pontos percentuais do que em 2024)”.

"No que respeita ao uso de ferramentas tecnológicas para deteção de fraude, mais de três quartos das empresas (76%) ainda não recorrem a este tipo de soluções, sendo um dos principais motivos apontados o elevado investimento necessário (35%).”

Deloitte

Corruption & Fraud Survey 2025

 

A edição deste ano demonstra que “existe uma maior consciencialização por parte das empresas para a fraude e a corrupção”, afirma Gonçalo Quintino, partner da Deloitte e um dos autores do estudo. Ainda assim, ainda há muito trabalho por fazer.

Apesar de haver alguns mecanismos e controlos já implementados, “muitos dos inquiridos acabam por identificar que não foram feitos grandes investimentos [para prevenir a fraude e corrupção] e que esses investimentos, a terem existido, provavelmente permitiriam ter detetado mais fenómenos e atuado mais rapidamente”, aponta o responsável, notando que “um dos problemas que acelera as perdas está relacionado com o tempo até à deteção e a capacidade de resposta”.

De acordo com o partner da Deloitte, a “generalidade das empresas tem uma postura reativa”. Isto porque “quando deteta ou quando existe uma denúncia são relativamente rápidos a intervir e a tentar implementar alguns controlos, mas não existe uma malha de segurança constante, nomeadamente através de tecnologias”.

O estudo aponta mesmo que grande parte das empresas continua sem utilizar a tecnologia, nomeadamente a inteligência artificial (IA), para detetar estas situações. “No que respeita ao uso de ferramentas tecnológicas para deteção de fraude, mais de três quartos das empresas (76%) ainda não recorrem a este tipo de soluções, sendo um dos principais motivos apontados o elevado investimento necessário (35%)”.

"Muitos dos inquiridos acabam por identificar que não foram feitos grandes investimentos [para prevenir a fraude e corrupção] e que esses investimentos, a terem existido, provavelmente permitiriam ter detetado mais fenómenos e atuado mais rapidamente. ”

Gonçalo Quintino

Partner da Deloitte e

Além disso, 72% dos inquiridos não estão dispostos a investir mais de 25 mil euros no próximo ano em ferramentas para deteção automática ou semiautomática de eventos de fraude e corrupção, sendo que apenas 11% demonstram disponibilidade para realizar um investimento superior a 75 mil euros nestas tecnologias no próximo ano.

Esta tendência contraria aquilo que se está a verificar a nível global. O “estudo ‘2024 AI, Fraud, and Financial Crime Survey’ da BioCatch afirma que 73% das organizações inquiridas globalmente estão atualmente a utilizar IA para a deteção de fraude verificando uma correlação direta com o aumento da velocidade com que apresentam respostas à fraude”, refere o estudo.

“O grande obstáculo continua a ser o investimento. Apesar de termos um perfil em que praticamente dois terços das respostas são de grandes empresas e o remanescente são pequenas e médias empresas, continua a haver alguma resistência ao investimento”, conclui Gonçalo Quintino, partner da Deloitte, frisando que as “empresas, na hora de decidirem a onde dirigir a sua capacidade de investimento, acabam por fazê-lo mais para o negócio do que para estes fenómenos mais esporádicos”.

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