Pedro Duarte já é presidente do município do Porto. E alerta para “excesso” do turismo e imobiliário
O novo autarca comprometeu-se a “preservar a identidade e a cultura” neste novo capítulo do município. E aponta baterias para o crescimento económico numa cidade que depende do turismo.
Foi no emblemático claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória, na zona histórica da Invicta que, durante a tomada de posse como presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte se comprometeu a “repensar o modelo de desenvolvimento económico” do concelho, alertando para o facto de “uma cidade que depende em excesso do turismo e do imobiliário correr o risco de se tornar refém do seu próprio sucesso”.
“Precisamos de reforçar a nossa base produtiva e de apostar em bens e serviços transacionáveis. É tempo de diversificar, consolidar a economia do conhecimento, valorizar as indústrias criativas, atrair empresas inovadoras e proteger o comércio de proximidade”, defendeu o antigo ministro dos Assuntos Parlamentares perante uma plateia repleta de figuras políticas, entre as quais o autarca de Lisboa, Carlos Moedas.
Pedro Duarte voltou a afirmar que tenciona ser o líder da região Norte e comprometeu-se a “preservar a identidade e a cultura” neste novo capítulo do município, precisamente no dia em que conseguiu para a sua equipa um eleito do PS, Jorge Sobrado, para assumir o pelouro da cultura.
O novo autarca pretende “liderar para unir a região, para projetar o Grande Porto, para reforçar o papel do Norte e, desse modo, para fortalecer Portugal”. E elegeu como bandeira “manter o legado portuense das contas certas e da gestão responsável”, numa referência ao seu antecessor Rui Moreira que não se recandidatou devido à limitação de mandatos. Garantiria depois, aos jornalistas, que o Porto vai reintegrar a Associação Nacional de Municípios Portugueses.
Pedro Duarte quer tornar o Porto numa “referência de cooperação e confiança entre os municípios da região”. Até porque, justificou, “o Porto não pode – nem quer – fechar-se sobre si próprio. Tem de ser pensado em rede e perspetivado em articulação com a Área Metropolitana, com a Região Norte, com o País e com a Europa”.
O autarca começou o seu discurso por tecer elogios ao seu antecessor Rui Moreira que esteve 12 anos à frente do município. Enalteceu o seu contributo para a “referência internacional” que a cidade se tornou hoje e para toda a transformação que tem vivido. “Preservar a memória da cidade é também reconhecer quem a soube servir. O presidente Rui Moreira fê-lo com independência e coragem, e com o amor franco e leal que o Porto inspira”, enalteceu.
O Porto cresceu, mas com o crescimento vieram também novas dores: a pressão sobre a habitação, a insegurança, as limitações à mobilidade, as desigualdades que persistem.
Ainda assim, Pedro Duarte deixou um alerta: “O Porto cresceu, mas com o crescimento vieram também novas dores: a pressão sobre a habitação, a insegurança, as limitações à mobilidade, as desigualdades que persistem”.
Além do Executivo de Rui Moreira cessante e de Carlos Moedas, marcaram presença os ministros da Defesa e dos Assuntos Parlamentares, Nuno Melo e Carlos Abreu Amorim, na sessão de tomada de posse do presidente eleito Pedro Duarte, e do futuro Executivo municipal, assim como os eleitos para a Assembleia Municipal para o mandato 2025-2029.
Pedro Duarte, que vai governar a Invicta pela coligação “O Porto Somos Nós” (PSD/CDS/IL), elegeu ainda como bandeiras “governar com base no diálogo, escuta e consenso” e “com independência perante os interesses particulares. Com arrojo perante os velhos do Restelo”.
Reforçar a cooperação estratégica com as juntas de freguesia, “o primeiro rosto do poder local” é outro dos compromissos. A finalizar o seu discurso, Pedro Duarte citou Miguel Torga: “Um Porto formalista e anémico, a recalcar os impulsos, onde não fosse possível confundir-se uma peixeira com uma viscondessa e um pensador com um padeiro, não era digno de ter dado o nome a Portugal.”
“Hoje inicia-se um novo ciclo na vida da cidade […] Viva o Porto! Bibó Porto!”, concluiu.
Pedro Duarte garante que vereador da Cultura não foi manobra política
À margem da sessão, Pedro Duarte garantiu aos jornalistas que o recrutamento de Jorge Sobrado, eleito a 12 de outubro na lista do socialista Manuel Pizarro, não foi uma manobra política para ter a maioria no Executivo. O autarca afirmou que “seria muito pouco inteligente não aproveitar para a cidade um recurso desta natureza”, referindo-se a Sobrado e ao seu percurso cultural no Porto.
Com Jorge Sobrado do lado da coligação PSD/CDS/IL, Pedro Duarte fica com a maioria no Executivo, depois de as eleições de 12 de outubro terem determinado seis mandatos para a candidatura de Duarte, outros seis para a do socialista Manuel Pizarro e um para o Chega.
Aos jornalistas o vereador independente Jorge Sobrado assegurou que, “ao contrário do que se possa pensar, a preocupação foi a cultura” e não o Executivo ficar com maioria. “O resto são ganhos colaterais na governabilidade, mas a cultura é a causa e o Porto está em primeiro lugar”, sustentou Sobrado que tem o desafio pela frente de “um bom combate” na área da cultura.
Ambos consideraram que o programa cultural do PS e do PSD é compatível.
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