PS acusa Governo de “desistir” da requalificação do Hotel Turismo da Guarda

  • Lusa
  • 19 Dezembro 2025

O Hotel Turismo fechou em 2010 e foi vendido pelo município ao Turismo de Portugal para criar uma Escola de Hotelaria. Ministério da Economia indica que o imóvel será colocado no mercado.

A deputada do PS eleita pelo círculo da Guarda, Aida Carvalho, considera que o Governo “desistiu” da requalificação do Hotel Turismo da cidade com a revogação do contrato de arrendamento celebrado entre o Turismo de Portugal e a Enatur.

“Esta revogação é, na prática, uma decisão política que interrompe o trabalho desenvolvido nos últimos anos e adia indefinidamente o futuro do Hotel Turismo da Guarda, contrariando compromissos publicamente assumidos e enfraquecendo a estratégia de afirmação turística da cidade e da região”, afirmou Aida Carvalho à agência Lusa.

A denúncia foi feita esta sexta-feira na sequência da resposta do gabinete do ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, a uma pergunta do grupo parlamentar socialista, em novembro deste ano, sobre a previsão do início das obras naquela unidade hoteleira encerrada desde 2010.

“O contrato de arrendamento do Hotel Turismo da Guarda que o Turismo de Portugal, I.P, celebrou com a ENATUR, S.A., foi revogado por mútuo acordo, pelo que a requalificação do imóvel não teve sequência ao abrigo deste procedimento”, é referido no documento, a que a agência Lusa teve acesso. A tutela acrescenta que será agora o Turismo de Portugal, proprietário do edifício, a colocar “diretamente o imóvel no mercado para reabilitação e requalificação, e subsequente utilização como estabelecimento hoteleiro”.

“Informa-se que já foram preparadas e ultimadas as respetivas peças, encontrando-se o procedimento administrativo prévio ao lançamento do concurso em tramitação e na sua fase inicial”, lê-se ainda. Para Aida Carvalho, trata-se de “um anúncio muito gravoso e muito preocupante, porque o Governo está a dizer que adia novamente a requalificação do Hotel Turismo”.

É um dos edifícios mais emblemáticos da cidade e da região e volta a ver o seu processo de requalificação interrompido. Parece-nos claramente uma desistência da reabilitação deste imóvel”, lamentou. A deputada disse também desconfiar da solução do Ministério da Economia.

Reportagem na Guarda - 21MAR25
Hotel Turismo da Guarda, encerrado desde outubro de 2010Hugo Amaral/ECO

“O Governo não se comprometeu com datas, ou seja, se eventualmente isso já estivesse em curso ou fosse uma solução já pensada, o Ministério da Economia apresentaria, na sua resposta, uma data para o início do procedimento concursal. Como não apresenta, deixa isso em aberto, o que é claramente um retrocesso injustificável neste processo”.

Aida Carvalho assegurou que o grupo parlamentar do PS na Assembleia da República “não vai abandonar este dossier. Iremos perguntar, semestralmente, ao ministro da tutela qual o ponto de situação, porque um Hotel Turismo a funcionar em pleno parece-nos absolutamente estratégico para o desenvolvimento da região e do seu potencial turístico”.

A deputada considerou ainda que a “desistência clara e objetiva” no Hotel Turismo da Guarda “está em linha de conta com o que vem sendo a política do Governo para a região, porque também desistiu de construir uma residência de estudantes em Seia e vai aumentar até 5% as vagas em todas as instituições de ensino superior, o que irá, com certeza, diminuir a procura pelo Politécnico da Guarda”.

A deputada lembrou que, em janeiro de 2024, a Enatur apresentou o projeto de reabilitação, num investimento de 8 milhões, “que faria renascer o Hotel Turismo da Guarda como Pousada de 4 estrelas, com 77 camas”. Em julho desse ano, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, anunciou que as obras iriam ter início “o mais tardar até janeiro de 2025”.

O Hotel Turismo fechou em 2010 e foi vendido pelo município ao Turismo de Portugal para criar uma Escola de Hotelaria e Hotel de Aplicação, num investimento estimado em 10 milhões de euros. Em 2012, o Governo PSD/CDS desistiu do projeto e os executivos seguintes do PS optaram por integrar o imóvel no programa REVIVE – Reabilitação, Património e Turismo.

Entre 2017 e 2021 foram feitas três tentativas de concessão, mas sem sucesso. Em 2022 o imóvel foi desafetado do Revive e em 2023 integrado na rede de Pousadas de Portugal.

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