Saks em risco de insolvência. É o fim dos grandes armazéns?

ECO,

A Saks enfrenta problemas de liquidez e inventário. Macy's e Harrods reportaram quedas nas receitas. Há quem já esteja a seguir outros caminhos: experiências e concessão.

A fusão entre os armazéns Saks Fifth Avenue e da Neiman Marcus foi apresentada em 2024 como uma medida decisiva para criar um grande campeão de retalho de luxo nos EUA. Os resultados dizem que o modelo dos armazéns premium pode ter chegado ao fim, escreve a Reuters.

O negócio – no valor de 2,7 mil milhões de dólares – deveria ter salvado a Saks Global, mas a companhia enfrenta agora uma dívida pesada e já falhou pagamentos, como escreveu o ECO Avenida. Apesar do negócio com a Neiman Marcus, persistem as vendas fracas e problemas de inventário.

A alavancagem do grupo atingiu cerca de 2,2 mil milhões de dólares, obrigando a empresa a atrasar pagamentos a fornecedores, o que teve impacto direto na disponibilidade de produto e nas margens, segundo a Reuters. Mais de uma centena de marcas suspenderam o envio de mercadoria para a cadeia, num sinal claro de perda de confiança. As sinergias prometidas pela fusão, estimadas em 600 milhões de dólares em poupanças ao longo de cinco anos, revelaram-se demasiado otimistas.

As lojas multimarca enfrentam constrangimentos à medida que as grandes marcas apostam na venda direta. O armazém norte-americano Macy’s revelou em dezembro que teve resultados abaixo do esperado no quarto trimestre de 2025 e o londrino Harrods também registou perdas de 17%. Já as vendas online continuam a crescer. Por exemplo, o site MyTheresa, detido pela LuxExperience, mais do que duplicou a sua receita – os seus produtos são semelhantes aos da Saks, e oferece vantagens como a expedição grátis a partir de compras superiores a 400 dólares.

No caso da Saks, e apesar da fragilidade operacional, o valor imobiliário continua a ser o principal trunfo da Saks Global. A carteira de ativos, que inclui o icónico edifício da Quinta Avenida, em Nova Iorque, está avaliada em cerca de 4 mil milhões de dólares.

Analistas ouvidos pela Reuters sublinham que o maior potencial de criação de valor poderá já não estar no retalho de luxo tradicional, mas na reconversão desses espaços, um sinal de que a geografia do luxo está a mudar depressa. Outro dado sustenta uma aposta na experiência, como referem os estudos da Bain: sectores como hospitality e fine dining levaram ao crescimento do mercado do luxo entre 2023 e 2025. Em 2026, acreditam os analistas, luxo será sinónimo de experiência.

“Vender luxo hoje requer uma experiência extraordinária, o que funciona melhor em locais excecionais”, de acordo com Benjamin Sebban, diretor de investimento em retalho da Knight Frank, em Paris, citado pela Reuters.

É o que está a fazer, por exemplo, o histórico armazém francês Printemps (agora detido por capital do Qatar) na sua loja em Manhattan, Nova Iorque, com réplicas em papel de grandes monumentos franceses, apostando em lançamentos exclusivos, conversas com designers, experiências de fine dining e provas de vinho.

“Este é mais do que um lugar para comprar – é um espaço para viver, estar e mergulhar num modo de vida luxuoso”, disse o CEO da Printemps America à Reuters.

Deste lado do Atlântico, em Paris, as Galeries Lafayette, outro histórico armazém francês, investiram 100 milhões de euros no restauro da sua cúpula de vidro. Objetivo: recuperar os visitantes a níveis pré-pandemia de Covid-19.

Já o grupo LVMH investiu 750 milhões de euros na reabilitação do edifício de art nouveau do armazém La Samaritaine, em Paris, mas a loja ainda está a lutar em comparação com a loja parisiense Le Bon Marché, forçando uma restruturação em 2025.

Uma das soluções apontadas pelos analistas americanos da Bernstein é a concessão como uma possível solução para resolver problemas de inventário. Um passo avançado, por exemplo, pela Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão, em que a cidade aluga espaço através de um leilão.

 

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