Brasileira Luz Prime entra em Portugal com software de gestão financeira para PME

Tecnológica do Rio de Janeiro investiu 70 mil euros para lançar este mês ferramentas digitais "totalmente adaptadas à realidade fiscal portuguesa", que considera tanto "desafio como oportunidade".

Há mais um player internacional no mercado da tecnologia para gestão financeira de empresas. A brasileira Luz Prime, criada em 2007 no Rio de Janeiro, expandiu a operação para Portugal por considerar que o “contexto fiscal português é simultaneamente um desafio e uma oportunidade” para as pequenas e médias empresas (PME).

A tecnológica investiu 70 mil euros para lançar este mês o seu software e ferramentas “totalmente adaptadas à realidade fiscal portuguesa”, mas prevê alargar o negócio e atingir o breakeven ao fim de apenas seis meses e os 500 subscritores ativos até ao final de dezembro. Mais do que o arranque da internacionalização, Portugal vai funcionar como a porta de entrada em toda a Península Ibérica e nos PALOP.

“A carga burocrática é significativa – entre IRC, IVA, obrigações declarativas, IES, Modelo 22 e conformidade com o SNC (Sistema de Normalização Contabilística) – e muitos gestores perdem tempo precioso em tarefas administrativas que não acrescentam valor ao negócio. Por outro lado, existem programas de apoio interessantes, como o Portugal 2030, PRR e incentivos IAPMEI que muitas PME desconhecem ou não sabem como aceder”, diz ao ECO o country manager da Luz Prime em Portugal, João Martins.

O CEO global da Luz Prime, Filippo Ghermandi, destaca que Portugal tem cerca de 1,5 milhões de empresas, das quais 99,9% são PME, o que torna este mercado “massivo” embora “historicamente mal servido”. “As grandes consultoras focam-se nas grandes empresas e os gestores de PME ficam limitados ao apoio do contabilista ou a soluções genéricas. Identificámos gestores pragmáticos, sensíveis ao ROI, que valorizam ferramentas prontas a usar adaptadas à realidade portuguesa (IRC, IVA, SNC, Código do Trabalho) e acesso pontual a especialistas sem compromissos de consultoria tradicional”, explicou ao ECO.

O público-alvo da Luz Prime são gestores com uma faturação média anual de 1,2 milhões de euros, que trabalha (direta ou indiretamente) com uma rede composta pelo diretor financeiro, contabilistas certificados, consultores, administradores de empresas familiares e outros profissionais liberais, como advogados, médicos, arquitetos e engenheiros que estão a abrir a própria empresa.

A empresa carioca tem um calendário estratégico definido até 2028. Depois da fundação no ano passado, 2026 vai ser marcado por, além da entrada no mercado português, a consolidação do modelo (subscrições e ferramentas), mais parcerias estratégicas com consultores e contabilistas e investimento em conteúdo especializado.

O plano para este ano passa ainda por fazer acordos com a Ordem dos Contabilistas Certificados e associações empresariais, lançar um clube privado chamado Luz Prime Club e ir alargando a rede de especialistas em Portugal.

Portugal apresenta uma das taxas de sobrevivência empresarial mais baixas da União Europeia. Muitas PME gerem-se ainda de forma intuitiva, sem ferramentas profissionais de análise financeira, tesouraria ou planeamento estratégico. Não é falta de capacidade. É falta de acesso a recursos adequados à sua dimensão e orçamento.

João Martins e Filippo Ghermandi

Diretores da Luz Prime

A partir do próximo ano, a tecnológica prevê começar a desenvolver soluções para empresas (B2B) e criar uma plataforma de serviços de consultoria empresarial e uma “biblioteca premium de recursos para PME”, embora não apresente detalhes. De 2028 em adiante entrará no negócio das soluções integradas de gestão com IA, prossegue a internacionalização com a entrada em Espanha e nos países lusófonos de África de forma a ter um “ecossistema completo B2B para PME”.

A base é um modelo de SwaS (Software with a Service) em vez de SaaS (Software as a Service). Ou seja, enquanto “o tradicional funciona numa lógica «aqui está a ferramenta, use-a como quiser»”, o SwaS “combina ferramentas profissionais com acesso a especialistas com know-how que ajudam a contextualizar e maximizar o valor dessas ferramentas no negócio específico de cada cliente”. Daí o clube, a rede e as parcerias.

“As PME portuguesas enfrentam desafios semelhantes às brasileiras, mas com ainda menos opções de apoio acessível e especializado. A cultura de confidencialidade empresarial portuguesa, do segredo ser a alma do negócio, também nos motivou a criar uma solução que respeita essa mentalidade”, admitem ainda João Martins, que se divide entre um lado e outro do Atlântico, e Filippo Ghermandi.

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