Câmara da Guarda acusa AICEP de fazer “mau trabalho” pelo interior do país
Daquilo que me queixo, queixam-se vários municípios, de Bragança a Beja. No final, o investimento vai sempre para o litoral”, criticou o autarca Sérgio Costa.
O presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, acusou esta segunda-feira a AICEP de fazer “um mau trabalho” pelo interior do país ao localizar os investimentos internacionais apenas no litoral.
“A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal [AICEP] tem feito um mau trabalho pelo interior, não faz aquilo que lhe compete. Daquilo que me queixo, queixam-se vários municípios, de Bragança a Beja. No final, o investimento vai sempre para o litoral”, criticou o autarca eleito pelo Nós, Cidadãos! no final da reunião quinzenal do executivo camarário.
Sérgio Costa reagia a uma interpelação do vereador do PS, António Monteirinho, sobre quantas empresas instaladas recentemente na Guarda tinham tido o apoio da AICEP. “Não obtive resposta, penso que nenhuma empresa terá sido apoiada. E porque é importante este apoio? Porque é uma garantia da concretização desse investimento”, considerou o eleito da oposição.
Por isso, o socialista sugeriu ao executivo guardense que desenvolvesse, junto da AICEP, “um trabalho proativo, nomeadamente de elaboração de dossiers técnicos, dos meios e das infraestruturas disponíveis na Guarda, que tem uma posição geoestratégica única”. António Monteirinho realçou também a abertura, dentro em breve, do Porto Seco no terminal ferroviário da cidade.
“Deveria haver uma estratégia articulada da Câmara com essa Agência para que o Porto Seco pudesse ser apresentado junto dos investidores e que eles começassem a olhar para a Guarda de uma maneira totalmente diferente daquela com que olham”, disse. O vereador do PS lamentou também que a autarquia não tenha disponibilizado dados sobre o trabalho desenvolvido pelo Gabinete de Apoio ao Investidor.
“É esta falta de visão estratégica que, de alguma forma, faz com que os investimentos na região sejam anunciados, pré-anunciados e depois não sejam concretizados”, declarou. Na resposta, Sérgio Costa começou por afirmar que “a Guarda já esteve no pódio de alguns investimentos estrangeiros fortes nos últimos anos, porque investimos nessa promoção com a AICEP”.
“O que resultou foi que, no final, esse investimento foi para o litoral do país, mais uma vez. Nós investimos tempo e dinheiro, mas depois vai sempre tudo para o mesmo sítio”, lamentou. Para o presidente da Câmara, a AICEP faz “um mau trabalho no que diz respeito à localização de investimentos internacionais no interior do país”.
“Não fosse o esforço de muitos autarcas de toda esta zona raiana do país, e de algumas empresas também, os investimentos que têm aparecido não surgiriam pela mão da AICEP”. Sérgio Costa acrescentou, por isso, que nenhum autarca do interior “pode estar à espera de que chovam investimentos da AICEP”, que classificou de entidade que “administra papéis, intenções e pouco mais”.
O autarca disse acompanhar a preocupação do vereador socialista na necessidade de captar investimento para a Guarda e apelou ao empenho “de todos” nesta matéria. “Qualquer investimento no nosso concelho é devidamente acompanhado”, garantiu. Na reunião desta segunda-feira, o executivo guardense aprovou, por unanimidade, a abertura do concurso público para a reabilitação do parque da encosta norte da cidade, pelo preço-base de cerca de um milhão de euros.
Foi também deliberado atribuir bolsas de estudos, no valor global de 160 mil euros, a 51 estudantes do concelho que frequentam o ensino superior. A Câmara da Guarda tinha recebido 143 candidaturas a este apoio para o ano letivo em curso.
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