Prada já cortou com mais de 200 fornecedores após auditoria a condições laborais

Lina Santos,

O grupo italiano diz que política de "tolerância zero" levou ao corte de relação com 222 fornecedores e empresas subcontratadas,, após auditorias a 222 empresas. Em 2025, foram 43.

A auditoria começou em 2020 e as consequências são conhecidas agora: o grupo italiano Prada cortou relações comerciais com 222 dos seus fornecedores dos últimos cinco anos, face a incumprimentos na cadeia de abastecimento, após um vasto programa de auditorias internas lançado em 2020. “Tolerância zero”, diz a empresa. Em 2025, 43 parceiros da marca de Miuccia Prada ficam de fora.

A empresa realizou mais de 850 inspeções presenciais junto de fornecedores e subcontratados em Itália desde o início do processo, segundo os jornais Financial Times e La Repubblica (acesso pago). Atualmente, a cadeia de produção do grupo inclui mil fornecedores e empresas subcontratadas, sobretudo no norte e centro de Itália.

Dormitórios em fábricas, falhas em matéria de saúde e segurança no trabalho e irregularidades na gestão de resíduos foram algumas da violações à legislação laboral italiana que as auditorias encontraram.

Segundo o Financial Times e o La Reppublica, o grupo Prada levou a cabo 188 inspeções em 2025, resultando em 43 rescisões. Seis delas estão relacionadas com a subcontratação não autorizada para unidades fabris onde os trabalhadores dormiam nas próprias instalações.

As auditorias acontecem desde 2020 e mais de metade resultaram no corte de relações comerciais. “A taxa de cessação de contratos diminuiu porque adotámos uma abordagem de tolerância zero”, indicou a empresa ao Financial Times.

Uma equipa interna do grupo sediado em Milão, entre elementos da empresa e consultores externos, analisa indicadores como volume de negócios, número de trabalhadores e localização, contratos de trabalhos, vistos de trabalhadores estrangeiros, recibos de vencimento e, entre outra documentação, faturas energéticas, que permitam entender se é realizado trabalho noturno.

Uma investigação do Ministério Público (MP) italiano sobre alegados abusos laborais na cadeia de produção abalou o setor em 2025. O grupo Prada não está na mira do MP do país, mas foi chamada a dar informação detalhada sobre a relação com fornecedores. O processo judicial envolve outras empresas do segmento, como Gucci, Versace, Loro Piana.

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