Forvis Mazars em “processo adiantado” para comprar auditora em Aveiro
Sérgio Santos Pereira, country managing partner da empresa, diz que operação passou etapa da avaliação de risco e encontra-se na fase negocial. Nas últimas semanas surgiu outra oportunidade em Braga.
A auditora Forvis Mazars está em negociações para comprar uma sociedade de revisores de contas em Aveiro e encontra-se a analisar a possibilidade de aquisição de outra empresa de auditoria em Braga. A empresa pretende avançar com o modelo de crescimento inorgânico e de criação de hubs regionais “para ter uma presença mais próxima dos clientes”.
“Estamos num processo mais adiantado relativamente a uma outra entidade no centro/norte litoral do país, no concelho de Aveiro. Já passámos essa fase de avaliação de risco e gostávamos muito que se concretizasse. Estamos na parte negocial. Vamos ver se corre bem. Tem de ser algo que seja favorável para ambas as partes”, disse ao ECO/EContas o managing partner da Forvis Mazars em Portugal, Sérgio Santos Pereira.
Estrategicamente, o plano da firma de auditoria e consultoria é utilizar estes negócios para estar próxima da academia de forma a captar os recém-licenciados da Universidade do Minho, por exemplo.
“Aveiro e Braga seriam importantes para alavancarmos outras áreas de negócio. Não é só para fazer um investimento em auditoria propriamente dita, mas para fazer um investimento da firma, numa lógica de procurarmos recrutar pessoas para o nosso projeto, quer resultantes da Universidade de Aveiro quer das universidades de Braga”, explicou Sérgio Santos Pereira.
Por outro lado, segundo o CEO, as sociedades de revisores oficiais de contas (SROC) beneficiam, porque se encontram “muito concentradas nos seus próprios líderes” e, em determinado momento da história, deparam-se com entraves de sucessão e legado.
“Veem com bons olhos a integração para passar a uma lógica internacional e resolver as questões de sucessão internas. Ao mesmo tempo, têm consciência de que não têm capacidade de investir face às novas exigências dos reguladores e às exigências do mercado em termos de tecnologia para se manterem competitivos”, sublinha o gestor.
Há poucas semanas, surgiu-nos a oportunidade de estudarmos uma outra operação em Braga. É algo que ainda nem tivemos a oportunidade de partilhar com todos os sócios, porque ainda nem começámos a analisar. Vamos fazer um caminho que sabemos que é demorado, mas também tem que ser feito com responsabilidade.
Questionado sobre se, no cenário de as conversações e as análises de risco serem bem-sucedidas, a Forvis Mazars poderá avançar com os dois negócios este ano, Sérgio Santos Pereira disse que “era precoce” dar essa informação ou emitir opinião sobre o assunto, porque é uma cadeia de aprovação interna na organização e no grupo.
“A decisão não é do managing partner, é do conselho de sócios. Cabe-nos fazer essas avaliações e levar a conselho de sócios para ver se faz sentido corporativamente para todos ou para a maioria avançar com essas operações. Vai depender muito do perfil dos sócios, do ponto de vista de querer ou não querer avançar com uma determinada velocidade”, esclareceu.
O country managing partner da Forvis Mazars Portugal admitiu que, nos últimos meses, teve de parar um processo negocial que estava em curso por falhas na avaliação de risco. A auditora optou por deixar cair a transação porque a “qualidade do trabalho que era feito por aquelas entidades em específico não permitia manter os mesmos níveis de qualidade” que a Forvis Mazars pretende e com os quais se comprometeu com a CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários enquanto regulador.
“Tivemos contactos com algumas SROC e, no final do dia, não tivemos interesse, depois de avaliar a carteira e a qualidade do trabalho que era desenvolvido, porque existe a questão da integração de risco. Temos que ser muito criteriosos relativamente às sociedades que queremos integrar”, adiantou Sérgio Santos Pereira, em declarações ao ECO/EContas.
A área de auditoria representa ligeiramente menos de metade do negócio da Forvis Mazars. No ano fiscal de 2024/2025, a multinacional com sede na Bélgica teve uma receita global de mais de 5,7 mil milhões de dólares (aproximadamente cinco mil milhões de euros), o que representou um crescimento de 11% em relação ao ano anterior.
Os serviços de Auditoria e Assurance contribuíram com 45% para a faturação, a área Fiscal com 23%, o Advisory (consultoria, assessoria financeira, jurídica e sustentabilidade) com 21% e Outsourcing com 11%.
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