Este ano o Natal é (outra vez) a 25 de dezembro
O Natal, esse evento raro e imprevisível, surpreende-nos todos os anos com a sua pontualidade. Já não distingo bem o caos de julho do de novembro. Sei que um tem cheiro a férias e o outro a pinheiro.
Há um momento que se repete todos os anos, quase como um reflexo. Alguém, no meio do caos, pergunta: “Não vamos enviar o e-mail de Natal?” E não está a falar da campanha para os clientes. Está a falar daquele e-mail que sempre quisemos enviar em julho, cheio de razão e premonição, a dizer: “Informamos que, mais uma vez, o Natal se realizará no dia 25 de dezembro. Agradecemos que planifiquem as vossas urgências com a antecedência possível.”
Nunca o escrevemos. Nunca o enviámos. E cá estamos.
Novembro é o novo julho. A diferença é que em julho todos querem despachar tudo antes das férias. Em novembro, todos querem despachar tudo antes do Natal. A energia é a mesma: emails com assunto “urgente”, calls de última hora, briefings com mais expectativa do que tempo. Tudo é agora. Tudo é sensível. Tudo é importante.
E a pergunta inevitável: Se sabíamos que o Natal vinha aí… porque é que está tudo a acontecer agora?
Campanhas que deviam estar fechadas em setembro. Vídeos institucionais que aparecem como uma ideia brilhante de última hora. Ativações “leves e rápidas” que envolvem três equipas, quatro parceiros e um mupi na rotunda principal da cidade. Tudo com entrega “de preferência esta semana, que depois o ano fecha depressa”.
(E ainda há que encaixar os famosos almoços e jantares de Natal — que se sobrepõem, colidem e, às vezes, aparecem todos na mesma semana.)
O Natal, esse evento raro e imprevisível, surpreende-nos todos os anos com a sua pontualidade. E nós, cá estamos. A criar mensagens com magia, com emoção, com calor humano. A fechar apresentações com corações, sinos e aquele tom que toca o lado certo da alma — mesmo que tenhamos dormido pouco e almoçado em cima do teclado.
Novembro é caos com espírito festivo. E já nem tentamos lutar contra isso. Fazemos listas, aceleramos entregas, respondemos a pedidos de “só mais uma versão” com o profissionalismo de quem já viu este filme e, ainda assim, gosta de o voltar a fazer.
E eu? Já não distingo bem o caos de julho do de novembro. Só sei que um tem cheiro a férias e o outro a pinheiros. Mas o ritmo é o mesmo — e a vontade de chegar ao fim com tudo feito (e bem feito) também.
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