Do Douro Vinhateiro à Região dos Vinhos Verdes
Depois de posicionar a Quinta do Ventozelo, no Douro Vinhateiro, antiga Gran Cruz investe cinco milhões na região dos Vinhos Verdes em projeto de enoturismo com alojamento até 2028.
Quando chegamos à Quinta do Ventozelo é fácil perdermo-nos rendidos a uma paisagem de socalcos de vinhas — ´carregadinhas´ de uvas — e olivais, serpenteada pelo rio Douro como pano de fundo. E não só… numa herdade em pleno Douro Vinhateiro com 400 hectares do grupo Granvinhos — antiga Gran Cruz Porto — há muito por onde despertarmos os sentidos com alta gastronomia, provas de vinhos, passeio de jipe por entre as videiras e até dormir num antigo balão de armazenamento de vinho.
Para trás deixamos um percurso por entre curvas e contracurvas, entre o Pinhão e Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira, para embarcamos numa viagem sensorial que brinda às tradições desta região vinhateira. Um retiro que conta uma história com mais de 500 anos, em plena região demarcada do Douro, Património da Humanidade pela Unesco. E que serve de mote para explorar um pouco o posicionamento da Granvinhos, a maior exportadora de Vinho do Porto do mundo detida pelos franceses da La Martiniquaise.
Corria o ano de 2014 quando a Granvinhos comprava esta quinta à espanhola Proinsa. Detentora de marcas como a Dalva e a Porto Cruz, a antiga Gran Cruz passava então a poder produzir e comercializar vinhos com as suas próprias uvas com as castas autóctones, sob a própria marca Quinta do Ventozelo, como o néctar Quinta do Ventozelo Tinta Amarela, um branco Quinta do Ventozelo Viosinho ou um Porto Vintage. Ao todo, dispõe agora de 30 referências provenientes de um terroir que tem tudo para surpreender o palato.

Com esta estratégia, o objetivo do grupo passava por reforçar o seu posicionamento no mercado vinícola no segmento premium dos Vinhos do Porto e Douro. Com um pé já na Madeira com a produção de vinhos, faltava entrar na região dos vinhos verdes para diversificar a atividade. Aconteceu em 2023 com a compra da Quinta de S. Salvador da Torre, em Viana do Castelo, com um total de 37 hectares.
“A nossa matriz é o Douro e o vinho do Porto. Temos um polo significativo de produção na Madeira. Fazemos quase 60% do vinho da Madeira e para diversificarmos e enriquecermos o portefólio da nossa distribuidora precisávamos de ir para outras regiões, até um bocadinho para reagir à quebra do vinho do Porto desde 2000″, começa por contar ao ECO Jorge Dias, diretor-geral da Granvinhos.
Afigurava-se, assim, o alargamento da atividade para a região dos Vinhos Verdes com a compra da Quinta de S. Salvador da Torre que já colocou no mercado três vinhos das castas Loureiro e Alvarinho. E cujo valor da aquisição o diretor-geral não adianta.
A nossa matriz é o Douro e o vinho do Porto. Temos um polo significativo de produção na Madeira. Fazemos quase 60% do vinho da Madeira e para diversificarmos e enriquecermos o portfólio da nossa distribuidora precisávamos de ir para outras regiões, até um bocadinho para reagir à quebra do vinho do Porto desde 2000.
O grupo recuperou o solar da propriedade que se encontrava devoluto. E “porque um projeto de enoturismo não pode ser só o vinho e a vinha”, como nota Jorge Dias, a antiga Gran Cruz Porto prepara-se para investir cinco milhões de euros até 2028 na requalificação da adega e no projeto de enoturismo com a construção de unidade hoteleira com restauração, como avança ao ECO.
Mas enquanto não acontece, a prioridade são os vinhos e a vinha nesta propriedade com mais de 400 anos de existência, com um casa senhorial datada de 1685, na margem direita do rio Lima com a Serra de Arga no horizonte. O diretor-geral da Granvinhos entende que “este projeto deve começar pela vinha, pelos vinhos e depois tem de ir pouco a pouco ao resto, por uma questão de sustentabilidade”. Por ali avistam-se 14 hectares de vinho Loureiro e 16 de Alvarinho, castas típicas do Minho. E a exploração agrícola da propriedade que, até então, era feita em parceria com Anselmo Mendes, vai manter-se nos próximos anos.
Uma nova vida e dinâmica está projetada para esta quinta nos próximos três anos, aproveitando todo o património e biodiversidade à semelhança do que o grupo fez no Ventozelo Hotel & Quinta, uma das maiores e mais antigas quintas do Douro, com uma área de 400 hectares, 200 dos quais de vinha e se somam os olivais, as hortas biológicas, os pomares e até o jardim das aromáticas.

Continuamos assim a nossa viagem nesta herdade duriense, e imagine, a pernoitar num dos dois balões recuperados, antigos depósitos de vinho em betão, e decorado a preceito e com glamour com um alpendre voltado para a paisagem.
Por aqui estão disponíveis 29 quartos, distribuídos por sete edifícios enquadrados nos socalcos da quinta, como a “Casa do Feitor” com vistas de rio, a “Casa do Laranjal” ou a “Casa Romântica”. Não se admire se noite dentro se aperceber de visitas inesperadas como uma raposa ou javali neste projeto de enoturismo que já conquistou o mercado nacional que surge logo à cabeça seguido do americano.
Os turistas chegam ao Douro encantados com as paisagens vinhateiras e o grupo prepara-se para em breve proporcionar-lhes algumas novidades, como uma “experiência nas copas das árvores”. Por enquanto, na zona mais baixa da propriedade é possível estender a tolha e fazer um piquenique à sombra, junto ao cais do rio convidativo a banhos.
Após um passeio de jipe por entre os vinhedos e olivais, seguimos passos calmos pela quinta onde salta um imensurável e rico património, com capela, lagares e adega, alambique; uma tradição que casa com umas quantas esculturas de Paulo Neves espalhadas pela quinta.

Visitámos ainda um Centro Interpretativo que narra um pouco da história e do património de Ventozelo e da região duriense. É ainda possível trazer para casa os vinhos da quinta ou o gin feito com vários botânicos extraídos na propriedade, o azeite e as infusões à venda na Mercearia de Ventozelo.
A próxima paragem é na Cantina de Ventozelo, onde antigamente eram servidas as refeições aos trabalhadores da quinta e que foi transformada num restaurante sob a mestria do chef José Guedes. Por aqui apuraríamos o palato com uma explosão de sabores com produtos cultivados na quinta e gastronomia. Com os clássicos do receituário regional servidos ao fim de semana e ao jantar um ambiente mais requintado harmonizado com os vinhos cultivados na herdade.
Rendemo-nos depois à piscina infinita, arrebatadora, com o rio Douro a correr lá ao fundo e a montanha a perder-se no horizonte.

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