Mau tempo corta eletricidade, atrasa comboios e mata dois idosos no Seixal
Proteção Civil regista dezenas de ocorrências relacionadas com a chuva forte por causa da depressão Claudia. Comboios circulam com velocidade reduzida na Linha do Norte.
Um casal de idosos, ambos com 88 anos, morreu esta quinta-feira em Fernão Ferro (Seixal) devido à inundação da casa em que viviam, num rés-do-chão.
Segundo confirmou o Comando Territorial de Setúbal da GNR, as vítimas morreram na sequência de uma “súbita subida de água” na zona onde dormiam. As autoridades tiveram de arrombar as portas para aceder à habitação, onde encontraram os corpos, que já foram retirados.
Através de uma publicação na rede social X, o primeiro-ministro disse ter recebido a notícia do falecimento deste casal com “profunda tristeza”. “Não há palavras que consolem a angústia do momento. Sentidas condolências, em meu nome e do Governo de Portugal, aos familiares e amigos”, escreveu Luís Montenegro.
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Joaquim Tavares, vereador da Proteção Civil da Câmara do Seixal, falou aos jornalistas junto à habitação onde ocorreu a morte de dois idosos, notando que a casa é, tal como outras na mesma zona, ilegal.
“Estamos numa área urbana de génese ilegal e é no contexto dessa realidade que estão a ser realizadas obras pela administração da AUGI, que é quem tem a competência nessa matéria”. Questionado sobre se estava prevista a demolição, o vereador afirmou que “esta casa está numa situação de construção ilegal, como estão tantas outras na região”. “No quadro dessas soluções que estão a ser encaradas com a AUGI, estão a ser vistas soluções para que se possam desativar estas habitações”, acrescentou.
Esta quinta-feira, o mau tempo desta madrugada deixou sem eletricidade cerca de 20 mil pessoas nas zonas de Lisboa, Santarém e Setúbal, sendo este o distrito mais afetado, segundo a empresa E-REDES.
Em Setúbal estavam, pelas 08:00, cerca de oito mil pessoas sem energia, de acordo com a E-REDES. A empresa garante que as suas equipas estão “em vigilância permanente e mobilizadas no terreno” para uma rápida resolução da situação.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 415 ocorrências entre as 00:00 e as 08:00 de hoje relacionadas com a chuva forte por causa da depressão Claudia, sobretudo inundações.
Em declarações à Lusa, José Costa, da ANEPC, explicou que foram registadas 307 inundações e 48 quedas de árvores, relacionadas com a precipitação e o vento, devido à depressão Cláudia, que afeta desde quarta-feira Portugal continental e o arquipélago da Madeira com chuva, vento e agitação marítima fortes, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O comandante observou que “a região mais afetada foi Lisboa e Vale do Tejo, com 300 ocorrências”, bem como a “sub-região da Península de Setúbal, com 175”.
Nos distritos de Santarém e Setúbal, o IPMA emitiu um aviso vermelho, o mais grave, de chuva por vezes forte e persistente, que esteve em vigor até às 10:00 de hoje. Nos distritos de Portalegre, Évora e Beja, o aviso laranja vai estar em vigor até às 12:00, devido à “precipitação, por vezes forte e persistente”. Em Faro, o aviso laranja estende-se até às 15:00 de hoje. O resto do continente e o arquipélago da Madeira estão hoje sob aviso amarelo.
O aviso vermelho é o mais grave e é emitido sempre que existem situações extremas, já o laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo, quando há uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.
O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo, quando há uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

Comboios com velocidade reduzida na Linha do Norte
Entretanto, a circulação ferroviária foi retomada pelas 10:00 entre o Entroncamento e Santarém, na Linha do Norte, mas os comboios circulam a uma velocidade mais reduzida, informaram a Infraestruturas de Portugal e a CP.
Segundo a Infraestruturas de Portugal, depois de estarem parados desde as 07:00, entre Entroncamento e Santarém, devido a uma avaria no sistema de sinalização, os comboios retomaram a marcha pelas 10:00, embora com uma velocidade reduzida, por precaução (marcha à vista).
A suspensão na circulação provocou “atrasos significativos”, segundo a CP, que apela à compreensão dos utilizadores.
O mau tempo que se faz sentir provocou um abatimento de via que está a condicionar a circulação ferroviária entre o Pinhal Novo e Poceirão, na Linha do Alentejo.
A circulação chegou a estar suspensa por cerca de 20 minutos, até às 09:30, altura em que os comboios voltaram a circular neste troço, nos dois sentidos, mas apenas numa das vias.
(Notícia atualizada as 13h com mais informações)
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