Metade das empresas não quantifica efeitos financeiros dos riscos climáticos

Um estudo da KPMG revela que as empresas portuguesas têm feito progressos a nível do reporte de sustentabilidade, mas aponta que ainda há "desafios evidentes" a resolver no futuro.

As empresas nacionais estão a dar passos para responder às novas exigências a nível do reporte da sustentabilidade. Ainda assim, um estudo da KPMG aponta que, apesar do progresso alcançado em diversas áreas, metade das organizações ainda não quantifica os efeitos financeiros associados aos riscos climáticos.

O estudo “ESRS: lições aprendidas para o futuro”, desenvolvido pela KPMG Portugal, analisa os relatos de sustentabilidade de 20 empresas portuguesas, correspondentes à primeira vaga de reporte ao abrigo das Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade (ESRS).

“Apesar do progresso alcançado em diversas áreas, ficam evidentes desafios a endereçar no futuro. Por exemplo, metade das organizações ainda não quantifica os efeitos financeiros associados aos riscos climáticos”, aponta a análise, salientando que os “efeitos financeiros atuais decorrentes da exposição a riscos climáticos envolvem também tipicamente impactos e divulgações com relevância para as demonstrações financeiras”.

“As empresas estão a adaptar-se a um normativo de relato de sustentabilidade exigente, num processo de aprendizagem que exige tempo, rigor e investimento”, afirma João Torres, Associate Partner de ESG na KPMG Portugal, notando que “ainda uma grande margem para melhorar relativamente aos processos de recolha, de tratamento e análise destes dados”.

“De acordo com as ESRS, identificar Impactos, Riscos e Oportunidades (IRO) materiais através da Análise de Dupla Materialidade é o elemento central do reporte de sustentabilidade”, refere o estudo. A dupla materialidade reconhece que, para além da necessidade de reportar os impactos ambientais e sociais das suas atividades, as empresas devem também reconhecer como as questões ESG podem afetar o seu desempenho, inclusivamente financeiro, a longo prazo.

“Lacunas como a referida sobre riscos climáticos comprometem a aplicação plena do exercício de avaliação de dupla materialidade, um dos pilares centrais da diretiva europeia, fragilizando a utilidade da informação para investidores, reguladores e mercados”, conclui ainda a KPMG.

A mesma análise aponta que a “maioria das empresas em Portugal ainda apresentou a sua Análise de Dupla Materialidade a um nível bastante agregado, o que tornou nesses casos as divulgações menos específicas e diminuiu a sua comparabilidade”.

O estudo revela também que um número significativo de empresas nacionais já estabeleceu metas concretas de redução das suas emissões de Gases com Efeito Estufa (GEE), alinhadas com iniciativas como a Science-Based Targets Initiative (SBTi). “Entre as 20 empresas analisadas, nove têm metas de curto prazo já aprovadas pela SBTi (incluindo três com metas net zero) e duas encontram-se no seu processo de validação, demonstrando um compromisso claro com objetivos e estratégias de redução da pegada de carbono”, conclui.

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