Primeiro comboio novo em mais de duas décadas já está a ser afinado no Entroncamento

Há mais de 20 anos que não chegava um comboio novo a Portugal, diz o Governo. Primeiro de uma encomenda de 22 já está em afinações no Entroncamento. Veja-o aqui.

Há 23 anos que não chegava um comboio novo a Portugal, destacava o Governo antes do ato de apresentação do novo “brinquedo” da CP, decorrido no Entroncamento. Ainda que os dados da própria CP apontem para a chegada de comboios novos em 2004, ou seja, há 21 anos, em qualquer dos casos contam-se mais de duas décadas sem que entre ao serviço um novo comboio em Portugal. O mesmo país que recebe fundos europeus há 20 anos e onde já se ouviam promessas governamentais de viagens do TGV durante a primeira década do século. Como se voltou a ouvir nesta sexta-feira, o país ainda está, no ano 2025, a discutir parte do traçado na primeira ligação do país, entre Lisboa e Porto.

Num evento na cidade do Entroncamento, a “terra mãe” da CP, o Governo chamou a imprensa para, sobre um estrado sobranceiro ao novo e reluzente comboio produzido pela Stadler, apresentar, pela voz do ministro das Infraestruturas e Habitação, novidades relativas a quatro temas da atualidade – uma apresentação relâmpago, antes de Miguel Pinto Luz fazer agulha para Faro, em mais um evento, desta feita no aeroporto.

Um dos temas levados à cidade do Entroncamento foi o elemento que fez o cenário desta apresentação: mostrar o primeiro de 22 comboios encomendados pelo Governo de António Costa.

“Os comboios da nova série CP 2700 destacam-se pela eficiência energética, velocidade máxima de 160 km/hora e estarão dotados de Wi-Fi e de tomadas para carregamento de equipamentos eletrónicos”, destaca a CP nas redes sociais. “A primeira unidade a ser entregue é bimodo. Tem capacidade para 369 passageiros e áreas para pessoas com mobilidade reduzida e bicicletas“.

O modelo Flirt, da suíça Stadler faz parte de um investimento de 158 milhões de euros para 12 automotoras bimodo (funcionam a gasóleo ou elétricas, consoante a infraestrutura esteja, ou não, eletrificada), e 10 automotoras elétricas.

“Hoje é um dia bom para Portugal e para todos os utilizadores da ferrovia”, afirmou Maria da Graça Carvalho. A chegada do comboio “é em si mesmo um feito, que vale a pena assinalar”, referiu a ministra do Ambiente e Energia. Ao todo, repetiram Graça Carvalho e Pinto Luz, vão chegar a Portugal “cerca de 200 novos comboios para a CP”. O número concreto ficou por dizer, até porque Pinto Luz foi parco em palavras e não esteve disponível para mais que meia dúzia de perguntas, justificando-o com a viagem — feita de carro — até ao Algarve.

Dos 40% de redução de CO2, país cumpriu um quarto. Tempo escasseia

O investimento em material circulante e infraestrutura são financiados pelo programa temático Sustentável 2030 e pelo Fundo Ambiental “porque fazem parte da transição verde com que estamos comprometidos”, afirma a ministra.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, acompanhado pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, aos comandos do primeiro comboio novo da Stadler, no Parque Oficinal do Centro, no Entroncamento, Santarém, 19 de dezembro de 2025. Paulo Cunha/LUSAPAULO CUNHA/LUSA

O setor dos transportes representa 34% das emissões de CO2 em Portugal, acima da média da União Europeia. É mesmo o país da UE em que os transportes têm uma maior percentagem de emissões de gases com efeito de estufa“, assegura a governante.

Estamos com bom comportamento na redução de emissões e na luta contra as alterações climáticas por causa do esforço que têm feito os outros setores que compensam o setor dos transportes

Maria da Graça Carvalho

Ministra do Ambiente e Energia

“Reduzir estas emissões é uma prioridade nacional alinhada com o Plano Nacional de Energia e Clima, cujo objetivo é conseguir reduzir 40% das emissões do setor dos transportes até 2030 comparado com 2005”, relembra a titular da pasta do Ambiente. Contudo, tendo passado já 20 dos 25 anos do prazo para eliminar estes 40% de emissões, “ainda só conseguimos reduzir 9%“, realça Graça Carvalho. Ainda assim, assegura: “Estamos com bom comportamento na redução de emissões e na luta contra as alterações climáticas por causa do esforço que têm feito os outros setores que compensam o setor dos transportes”. São eles, explica, eletricidade, indústria e serviços. “É essencial, ou não conseguimos cumprir os nossos objetivos”, acelerar “esta transição na área dos transportes”, realçou.

O investimento em transportes sustentáveis a partir do Ministério do Ambiente totaliza 3,2 mil milhões de euros, distribuídos por material circulante, infraestrutura rodoviária, expansão dos metropolitanos do Porto e Lisboa, metro de superfície do Mondego, futuras linhas Oeiras-Lisboa-Loures, metro Sul do Tejo entre Costa de Caparica e Trafaria e da nova linha violeta até Loures, descreve a responsável.

Maria da Graça Carvalho assegura que “não é fácil” executar estes investimentos, aludindo à dificuldade da entrega de equipamentos pelos fabricantes e providências cautelares após os concursos, deixando a garantia: “Tudo faremos para ultrapassar estas dificuldades”.

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