Sindicato diz que avaliação no Público incentiva clickbait e administradora afirma ser falso

Lusa,

"É falso que o sistema de avaliação incentive o clickbait, visto que a fatia de leão da avaliação assenta na apreciação da qualidade", contrapõe a administradora Cristina Soares.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) disse esta segunda-feira que o modelo de avaliação dos trabalhadores do Público contém propostas perigosas, como o incentivo ao clickbait, o que é classificado de falso pela administradora Cristina Soares, em declarações à Lusa.

Num comunicado, o SJ refere que o modelo de avaliação que o jornal “pretende implementar ainda este mês contém propostas perigosas, que incentivam ao clickbait e vão em sentido contrário ao que seriam boas práticas para gerir a progressão na carreira dos profissionais, conforme estatuída no Contrato Coletivo de Trabalho para a Imprensa (CCT) que a empresa diz aplicar”.

Contactada pela Lusa, Cristina Soares explicou que “a administração da empresa em colaboração com a Comissão de Trabalhadores e, posteriormente, com a direção editorial elaborou e aprovou um regulamento de avaliação, de acordo com o Contrato Coletivo de Trabalho”, divulgado aos trabalhadores em 2 de julho de 2025.

O sistema de avaliação “prevê uma componente de 85% de avaliação qualitativa e de apenas 15% de avaliação quantitativa”, apontou a administradora. “Esta parte quantitativa avalia quatro indicadores, não ficando limitado aos pageviews e aos cliques, integrando outros indicadores como os artigos exclusivos e o tempo médio de visita“, prosseguiu Cristina Soares.

Além disso, “são indicadores avaliados para a redação em conjunto. É por isso falso que o sistema de avaliação incentive o clickbait, visto que a fatia de leão da avaliação assenta na apreciação da qualidade do trabalho“, sublinhou a administradora.

Cumpre dizer que a empresa aplica o CCT e que o modelo de avaliação é plenamente compatível com a letra e o espírito da lei“, acrescentou, referindo que “o CCT atribui à empresa a competência para definir os termos e condições do processo de avaliação, o que foi feito seguindo as orientações previstas no CCT“. A empresa “continuará a dialogar com os trabalhadores, sobre o processo de avaliação, uma abertura que está inclusivamente prevista no próprio regulamento anual“, rematou Cristina Soares.

No comunicado, a direção do SJ “exorta a administração a rever esta proposta, e incentiva jornalistas a contestar o modelo de avaliação em cima da mesa, disponibilizando-se para dar o apoio necessário aos associados, inclusive através dos seus serviços jurídicos“.

Segundo o sindicato, “ao propor um modelo de avaliação híbrido, em que 15% da nota dada a jornalistas está dependente de métricas como cliques para assinar o jornal ou pageviews, o Público desvirtua um modelo de avaliação que deve basear-se apenas na qualidade do trabalho desenvolvido pelo jornalista, e não no alcance que têm os seus artigos“.

Para a estrutura, tal é “injusto para os trabalhadores, porque o cumprimento de metas pode ser condicionado por questões técnicas alheias aos jornalistas, e não depende da qualidade da informação produzida, como é potencialmente perigoso, mesmo numa redação com provas dadas no respeito ético e deontológico, deitando gasolina na fogueira da tentação pelos cliques fáceis”.

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