Corcoran Atlantic: “Partimos com vantagem. O cliente americano gosta de trabalhar com uma agência americana”
A imobiliária de luxo norte-americana abriu oficialmente as portas em Portugal esta quarta-feira. Karl Lagerfeld Residences é um dos empreendimentos que estão a trabalhar.
Se bem que o corte de fita oficial tenha acontecido esta quarta-feira, desde outubro que a Corcoran Atlantic, afiliada da imobiliária norte-americana de luxo Corcoran Group LLC, está em Portugal. “Já angariamos 500 milhões de euros”, diz o CEO Hugo Santos-Ferreira ao ECO, à margem da apresentação oficial. Portugal é “a porta de entrada da Corcoran na Europa”, diz Hugo Santos-Ferreira. Até agora, a empresa tinha operações de pequena dimensão na Alemanha e em Itália. “O cliente americano é já o maior investidor neste momento já em Portugal, o que vimos trazer é uma afinidade cultural”, defende o CEO.
“Um cliente americano tem mais afinidade cultural com uma agência americana e, portanto, nós partimos com vantagem relativamente aos nossos competidores porque o cliente americano gosta de trabalhar com uma agência americana”, diz.
“Não havia ainda uma marca nacional ou internacional, mas eu diria com cariz internacional, tivesse a trabalhar bem o mercado norte-americano, porque é um cliente diferente, é um cliente muito exigente, com muitíssimo mais poder aquisitivo que o cliente europeu
“Não havia ainda uma marca nacional ou internacional que estivesse a trabalhar bem o mercado norte-americano, porque é um cliente diferente, é um cliente muito exigente, com muitíssimo mais poder aquisitivo que o cliente europeu, mas que é um cliente muito exigente, com necessidades diferentes, com uma necessidade de serviço diferente, com uma necessidade de áreas diferentes, de um imobiliário diferente”, considera o CEO da Corcoran Atlantic. “Quartos maiores, closets maiores…”, detalha.
Os clientes americanos procuram também branded residences, um conceito popular nos EUA e no Brasil, que também tem seguidores em Portugal. “São uma realidade recente em Portugal, a Corcoran já está a acompanhar alguns projetos importantes, nomeadamente em Lisboa”, afirma.
Um dos projetos que vai nascer, na rua Braancamp, em Lisboa, são as Karl Lagerfeld Residences, um conjunto de 10 apartamentos, parceria da Overseas e da marca Karl Lagerfeld. “O que posso dizer é que vamos ser nós a fazer a comercialização dessas unidades, nomeadamente para o continente norte-americano – Estados Unidos e Canadá”.

Segundo Hugo Santos-Ferreira, “o que distingue a Corcoran a nível internacional é de facto a conexão que existe entre o escritório, enfim, nós somos o primeiro grande escritório para lá do oceano”.
E existe, realmente, uma relação entre os escritórios em Manhattan e Lisboa. “Todo o advertising, toda a promoção, a publicidade que nós fazemos dos nossos imóveis, nomeadamente, que estão angariados por nós, são feitos quer em Lisboa, quer em Manhattan. Nós comprámos a marca, é verdade, pagamos royalties, mas também temos o uso de todos os serviços e todo o know-how que vem da Corcoran, fundada nos anos 70 por Barbara Corcoran.
A Corcoran, que tem entre os seus acionistas a Century 21, chega à Península Ibérica à boleia do crescente interesse dos norte-americanos em Portugal, como dizem os números de Hugo Santos-Ferreira. “A atribuição de vistos a cidadãos norte-americanos aumentou sete vezes desde 2017”. Passou de 2.888 mil cidadãos para 20.959 mil cidadãos em 2024.
“O interesse apareceu durante o primeiro mandato de Donald Trump e voltou a fazer sentir-se com a eleição de Zohran Mamdani como mayor de Nova Iorque – “tem afugentado os investidores” – e não só.
“Acima de tudo, tem a ver com o próprio conflito mundial, onde os EUA obviamente estão implicados, que faz com que muitos americanos procurem um plano B, procuram um lugar pacífico, socialmente pacífico, um país que tem tradição de não entrar em grandes guerras mundiais”, diz o CEO.

A Corcoran Atlantic pretende ter uma presença estratégica em Portugal com lojas em Lisboa, Comporta, Porto, Algarve e Madeira. No segmento de mercado residencial, representam propriedades em localizações como a Quinta Patino, Quinta da Marinha, Príncipe Real, Vale do Lobo, Salgados, Troia, Comporta, Cascais, Funchal, Foz do Douro e ao longo do Rio Douro no Porto, bem como em Gaia.
Hugo Santos-Ferreira diz ao ECO que os investidores com quem têm conversado estão também muito interessados no Porto. “Estão a preferir o Porto, porque preferem um aeroporto que funcione e depois daqui vão para os outros países”.
Além dos apartamentos do Karl Lagerfeld Residences, trabalham empreendimentos como Terraços do Monte e o Legacy – Reformosa e Prata Riverside Village, que a CEO Global da Corcoran, Pamela Liebman, conheceu na sua visita a Portugal para a abertura oficial do escritório na Europa. “Estou muito curiosa para ver como vai ficar a frente de rio, como aconteceu com Brooklyn, Williamsburg ou Hudson Heights, em Nova Iorque”.
“Portugal tornou-se o destino número um para as pessoas que saíram dos EUA”, diz Liebman ao ECO. “É um país lindo, é seguro, tem uma grande cultura e é apenas muito apreciado pela nossa clientela”. E depois, elenca: “Golfe, praias, comida, segurança”.
“Nós olhamos para lugares que não são apenas mercados de luxo, mas que são muito autênticos”, diz. Está o serviço em Portugal ao nível que procuram os norte-americanos? “Como tentamos atrair pessoas dos EUA e de Londres, habituadas a experiências de alto nível, acho que há um futuro emocionante para os developers aqui”.
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