E depois de Bernard Arnault? Accionistas da LVMH pedem plano de sucessão
Investidores dizem que a falta de transparência sobre a sucessão de Bernard Arnault, 76 anos, está a tornar-se um risco de governação.
Alguns acionistas da LVMH pedem mais clareza na forma como e a quem Bernard Arnault pretende transferir a liderança do grupo, após quase 40 anos no comando, segundo a Reuters.
A LVMH, avaliada em cerca de 295 mil milhões de euros e detém mais de 70 marcas (da Louis Vuitton à Dior, passando pela Loewe ou Sephora). Cinco filhos de Bernard Arnault, o homem mais rico de França, estão envolvidos na gestão, mas o presidente executivo ainda não escolheu sucessor. No ano passado, a empresa voltou a elevar o limite de idade para a função acumulada de diretor executivo e presidente para 85 anos.
Investidores ouvidos pela Reuters dizem que a falta de um plano público aumenta o risco e pode traduzir-se numa fraqueza. A LVMH respondeu que os planos de sucessão não são públicos, mas que existem e cobrem o médio prazo e cenários de eventos súbitos.
“Há dez anos, a sucessão não era um assunto premente. Hoje tornou-se um fator de risco e conduz a uma penalização por falhas de governação”, disse Ariane Hayate, gestora de fundos europeus na Edmond de Rothschild, em Paris, que detém ações da LVMH.
Documentos societários citados pela Reuters sobre uma reestruturação de 2022 mostram que a entidade Agache Commandite SAS passou a ser detida pelos cinco filhos, com 20 % cada, e deverá passar a liderar a holding Agache SCA quando Arnault sair. Na ausência de instruções específicas, as decisões seriam tomadas por maioria de três.
Na votação de abril para prolongar o mandato, houve votos de dissidência, com a Baillie Gifford a abster-se e a Allianz GI a votar contra, referindo preocupações com a divulgação sobre sucessão, segundo a Reuters. A Reuters entrevistou sete investidores institucionais, seis acionistas, e quatro classificaram a falta de clareza como problemática.
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