Freguesias: PS e PSD chegam a acordo na 25.ª hora para liderança da ANAFRE
Desacordo de última hora, já com o congresso a decorrer, travou apresentação da lista única esperada para liderança da ANAFRE. Prazo teve de ser alargado, mas só com novo adiamento houve fumo branco.

A associação de freguesias, ANAFRE, atravessou, neste sábado, um princípio de rompimento entre o PS, o PSD e a CDU, com a discórdia a obrigar a furar por duas vezes o prazo máximo para entrega de candidaturas para a direção e órgãos sociais.
Às 15h40, quando já se vislumbrava a apresentação de candidaturas isoladas, o presidente da mesa anunciou: “há um princípio de acordo. Há umas arestas a limar”. Era o fim do impasse criado ao final da manhã.
Ainda esta semana, tanto o presidente da Junta de Freguesia de Benfica como Francisco Brito, social-democrata presidente da União de Freguesias de Évora, confirmavam ao ECO/Local Online haver um acordo entre os dois maiores partidos autárquicos, bem como com a CDU, para a entrega de uma lista conjunta no congresso eletivo que decorre neste fim-de-semana em Portimão.

A lista conjunta terá sido a forma de ultrapassar o diferendo entre PS e PSD sobre quem, na realidade, tinha conquistado mais freguesias nas autárquicas de 18 de setembro. Recorde-se que os social-democratas concorreram aliados com CDS e Iniciativa Liberal em parte significativa das freguesias ganhas.
Um desacordo de última hora, segundo apurou o ECO/Local Online, com PSD e CDU a não aceitarem pelo menos um dos nomes de autarcas independentes nomeados para a lista conjunta, travou a entrega da lista pré-anunciada. Chegou a estar em cima da mesa a criação de uma lista formada pelo Partido Socialista e pela Associação do Movimento dos Autarcas Independentes (AMAI).
Ricardo Marques, presidente da Junta de Freguesia de Benfica, que chegou a Portimão enquanto candidato a primeiro vice-presidente da ANAFRE para o quadriénio 2026-2030, surgia como potencial líder de uma inesperada lista isolada entregue pelo PS. Mesmo sem a lista conjunta inicial, a eleição do socialista lisboeta estaria praticamente garantida, já que o seu partido, PS, tem presentes em Portimão o número de congressistas suficiente.
Ao final da manhã deste sábado, um minuto após as 13 horas, o presidente da mesa do congresso eletivo dava conta de que se tinha atingido o limite do prazo para entrega de listas, sem que alguma tivesse sido apresentada. “Isto nunca aconteceu”, apontou Marco Cunha.
Até ao último minuto do novo prazo dado pela mesa do congresso, 15 horas, via-se Ricardo Marques numa roda-viva, de telefone na mão.
O sinal da discórdia começou a ser visível na sala principal do Portimão Arena logo após as 12 horas, quando Francisco Brito, o pretenso candidato a presidente da ANAFRE, começou a ser rodeado de elementos da lista, vários com semblante carregado.
Com o impasse, a eleição da nova direção poderia ter até significado um duro golpe tanto para PS como para PSD. Se os partidos não incluídos neste acordo, designadamente Chega e CDS, tivessem reunido as 100 assinaturas de congressistas necessárias para se candidatarem a cada órgão – entre os cerca de mil que se encontra em Portimão -, teria sido essa a única lista a formalizar a candidatura. E isto poderia ter acontecido em dois momentos: primeiro, até às 13 horas, o prazo limite estabelecido à partida. Depois, até às 15 horas, o prazo apresentado como solução de recurso pela mesa do congresso.
Na prática, significaria algo de inédito, a liderança da ANAFRE fora do “bloco central”. Mais de meia-hora após o segundo prazo limite imposto pela mesa, os trabalhos ainda estavam parados, encontrando-se a mesa ainda reunida com os partidos.
Apenas após 15h30 o ECO/Local Online ouviu congressistas dos dois lados da “barricada” assegurarem a existência do esperado acordo conjunto. Às 15h40, o presidente da mesa dava o sinal esperado, fazendo a reabertura dos trabalhos.
Assim, o substituto de Jorge Veloso como presidente da ANAFRE para o quadriénio 2026-2030 será mesmo o social-democrata Francisco Brito, jovem arquiteto cujo nome foi validado por Luís Montenegro.
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