Comunicações “portaram-se mal”? Declarações de Marcelo são “injustas e desajustadas”
Ana Figueiredo, CEO da Meo, reagiu a declarações de Marcelo que acusa as comunicações de se terem portado mal na reposição dos serviços. São "injustas e desajustadas", diz Apritel.
As afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa de que “as comunicações portaram-se mal”, na resposta à quebra das telecomunicações nas regiões afetadas pela depressão Kristin, só pode “resultar de informações incompletas ou imprecisas sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido”, atira Ana Figueiredo, CEO da Meo. Miguel Almeida, CEO da NOS, também acusa Marcelo Rebelo de Sousa de estar “mal informado” e de insensibilidade para com os profissionais no terreno. “Injustas e desajustadas” foi como a Apritel classificou as declarações do Presidente da República.
“As declarações proferidas pelo senhor Presidente da República só podem resultar de informações incompletas ou imprecisas sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido”, disse a CEO da Meo, numa declaração enviada ao ECO/eRadar.
“Desde o dia 28, ativámos de imediato o nosso plano de contingência, com mais de 1.500 técnicos no terreno, mobilizados de forma contínua, muitas vezes em condições extremamente exigentes. Foi igualmente acionada a nossa sala de crise, em funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, garantindo coordenação permanente de todos os meios técnicos e operacionais”, elenca.
“Estamos, desde o primeiro momento, em contacto permanente com as autoridades competentes, com a Proteção Civil e com as entidades de emergência, assegurando total alinhamento institucional. Paralelamente, foram acionados meios alternativos de emergência, precisamente para mitigar impactos e garantir a maior resiliência possível das comunicações em contextos excecionais”, disse ainda.
“Neste momento, o nosso foco absoluto está na recuperação plena dos serviços e no apoio às populações e às entidades críticas. É esse o nosso compromisso”, garante, destacando o “profissionalismo irrepreensível, a dedicação e o esforço incansável de todas as equipas que têm trabalhado de forma ininterrupta, em todas as frentes, para garantir um serviço essencial ao país”.
A CEO da Meo não foi a única a reagir às críticas do Presidente da República. Miguel Almeida, CEO da NOS, acusa Marcelo Rebelo de Sousa de estar “mal informado” e de insensibilidade para com os profissionais no terreno.
“O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado. As suas declarações demonstram uma profunda insensibilidade e desumanidade face às centenas de homens e mulheres que desde quarta-feira passada estão dia e noite a recuperar da maior destruição de redes de comunicações já vista em Portugal”, disse o CEO, numa declaração enviada ao ECO/eRadar.
Contactada, a Vodafone remete uma reação para a Apritel, associação do setor, que entretanto reagiu. Declarações de Marcelo Rebelo de Sousa “são injustas e desajustadas, não reconhecendo a dimensão do esforço extraordinário que está a ser desenvolvido no terreno, nem a complexidade e o risco associados a estas operações”, atira.
“A depressão Kristin teve um impacto sem precedentes nas infraestruturas de comunicações. Para responder a esta situação extrema, foram mobilizados mais de 3.000 profissionais, que permanecem no terreno desde o primeiro momento, num esforço ininterrupto, muitas vezes em condições de risco de segurança”, afirma a Apritel em comunicado.
A associação lembra que o trabalho destes operacionais “tem sido condicionado por inúmeros fatores”, tais como dificuldades de acesso às áreas com maior grau de destruição; cortes e condicionamentos de vias rodoviárias, com impacto direto na chegada de equipas e materiais”, mas também a “persistência de condições meteorológicas adversas, limitando intervenções técnicas e trabalhos em altura”, a “reincidência de estragos, com ocorrência de danos adicionais após reposições iniciais”, bem como “persistência de falhas de fornecimento elétrico em diversas zonas”, elenca.
“Desde a primeira hora, os operadores ativaram todas as medidas de contingência disponíveis, incluindo conectividade por satélite, instalação de geradores, camiões itinerantes, ‘bolhas’ de conectividade e autonomia energética, bem como a instalação de estações móveis provisórias em locais estratégicos, com prioridade absoluta ao reforço das comunicações da Proteção Civil, das forças de segurança e ao apoio a hospitais e serviços críticos”, diz.
Reposição prossegue, mas há concelhos com rede instável
Esta quarta-feira de manhã, a Vodafone na última atualização da reposição de serviços, adianta que a rede móvel foi reativada “em todos os 58 concelhos inicialmente afetados, ainda que, em alguns casos, de forma parcial e sujeita a instabilidade”, mas que “em dois desses concelhos — Ferreira do Zêzere e Vila de Rei — o grau de degradação do serviço ainda é elevado”.
A operadora “instalou, desde o início, várias soluções móveis de emergência, entre as quais camiões itinerantes e ‘bolhas’ de conectividade e autonomia energética, como as que esta quarta-feira estão a ser colocadas nas estações-base localizadas junto às auto-estradas A1, A8 e A17, para melhorar o acesso à rede móvel nestas vias de circulação. Ao longo dos próximos dias, esta complementaridade será reforçada com novos meios”, descreve.
“Prossegue-se também no restabelecimento do serviço fixo nas zonas em que este foi afetado, muito dependente, por exemplo, da reparação de cortes de fibra“, diz.
“Todos estes trabalhos são muito exigentes e sujeitos a algum grau de incerteza, pois dependem das condições de acesso e reparação das estruturas destruídas (garantindo a segurança dos técnicos) e de fatores terceiros, como o fornecimento de eletricidade ou o estado do tempo. A confirmar-se o agravamento das condições meteorológicas nos próximos dias (depressão Leonardo), o ritmo de trabalho para a reposição dos serviços poderá ser ainda mais afetado“, alerta a operadora.
Na terça-feira, a mais recente atualização da Meo dos trabalhos de reposição de rede, a operadora adiantava que tinha mobilizado “uma segunda VOIR — Viatura de Operações de Intervenção Rápida — para o concelho de Pombal, mantendo a primeira VOIR posicionada na zona de Ourém–Caxarias” e, paralelamente, mantinha “no terreno outros meios alternativos de emergência, nomeadamente grupos geradores, cell-sites transportáveis, feixes hertzianos e equipamentos VSAT”.
Na terça-feira, “todas as localidades sede de concelho dispõem de cobertura de rede móvel”, garantia.
(Última atualização às 19h04 com posição da Apritel)
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