Receitas da Gucci caem 19%. Grupo Kering sob pressão
Luca de Meo, CEO do grupo, aposta na recuperação em 2026, após vendas de imobiliário e encerramento de lojas. A venda da Kering Beauté à L'Oréal marcará o primeiro semestre de 2026.
As receitas e margens da Kering caíram em 2025, segundo os resultados apresentados esta terça-feira. O último ano ficou marcado por ajustes estratégicos no seio da empresa e um plano para “retomar o crescimento e melhorar margens” em 2026, de acordo com o comunicado da empresa detentora da Gucci, Yves Saint Laurent e Bottega Veneta, entre outras marcas de luxo. O grupo francês fechou o ano com uma faturação de 14,7 mil milhões de euros, uma diminuição de 13% em termos reportados e 10% em termos comparáveis face a 2024. No quarto trimestre, as vendas diminuíram 9% (reportado) e 3% (comparável). O grupo de luxo notou, ainda assim, que há uma melhoria sequencial ao longo do ano.
Marca a marca
- A Gucci foi, de todas as empresas que compõem a Kering, a que mais caiu em 2025. As receitas caíram 19% face a 2024, fixando-se nos 5,992 milhões de euros. Uma queda significativa apesar de uma melhoria sequencial no 4º trimestre à boleia do lançamento em setembro da coleção La Famiglia, a primeira assinada por Demna, diretor criativo da maison desde julho, após a saíde de Sabato De Sarno.
- A Yves Saint Laurent (YSL) também revelou uma queda do negócio. A receita de 2,643 milhões representa uma redução de 6% face a 2024. Também aqui, o quarto trimestre, o das festas, mostrou estabilidade e ganhos, sobretudo na América do Norte.
- A Bottega Veneta contraria a tendência de queda com um aumento de 3% face a 2024 com uma receita de 1,706 milhões de euros.
- O restante portefólio, que reúne marcas como Balenciaga, McQueen, Brioni e casas de joalharia, teve uma receita de 2,9 mil milhões de euros, com desempenhos mistos. Balenciaga (agora dirigida por Pierpaolo Piccioli) e McQueen tiveram dificuldades, joalharia cresceu.
- A Kering Eyewear & Corporate também cresceu. A receita é 1,631 milhões de euros (+3%).
O último ano ficou marcado pelo encerramento de 75 lojas do grupo e pela assinatura de um acordo com a Ardian para a criação de joint ventures imobiliárias em Paris e Nova Iorque, que podem gerar encaixes líquidos superiores a 1,4 mil milhões de euros. Foi também concluída a venda do The Mall Luxury Outlets à Simon, gerando cerca de 350 milhões de euros de proveitos líquidos.
A parceria com a L’Oréal, para a venda da Kering Beauté por cerca de 4 mil milhões (inclui a cedência de licenças de beleza e fragrâncias e parcerias na área de wellness e longevidade), é uma das medidas importantes que o grupo está a levar a cabo para reduzir a dívida. Deverá ficar concluída no primeiro semestre de 2026.
Além das mudanças na direção criativa de várias casas, com destaque para a Gucci, 2025 foi também o ano em que o grupo Kering quis fazer uma separação clara entre o papel do presidente, François-Henri Pinault, e o do CEO, Luca de Meo.
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