Conselhos de marca amadurecidos em cascos de carvalho muito velho

  • António Fuzeta da Ponte
  • 5 Janeiro 2026

Venha 2026, venha uma economia forte, venha estabilidade e venham marcas muito bem trabalhadas. Se puder desejar ainda que sejam marcas portuguesas, melhor. Bom ano a todos os das marcas!

No outro dia, em conversa com um amigo e colega de profissão chegamos a uma conclusão gira. Temos exatamente a mesma idade, somos do verão de 72, e atingimos agora outro grande número: temos os dois 30 anos de carreira cada um. Exatamente igual. Andamos nisto das marcas, desenvolvimento de campanhas, design, publicidade, ativações, meios, digital e tudo o mais, há três décadas. Lá está, é giro, mas só o é para nós.

Ou seja, nada demais, podem vocês pensar, se calhar até foram colegas de curso. Mas não, só nos conhecemos mais tarde. E tem piada que conheço mais uns dois ou três, também do mesmo ano, que fui encontrando pela vida e pela carreira. Tem piada que também ficaram bons amigos.

Mas, de novo, só, tem piada para mim. A vocês que leem isto, é zero útil. De nada serve a antiguidade, se não te acrescenta valor, ou conhecimento. E como sempre diz esse meu amigo, o conhecimento só é útil se for ser partilhado.

Vai daí, e porque penso que não interessa assim tanto a experiência técnica recolhida ao longo dos anos, acho que o fica mesmo foi o que aprendi por lidar tanto com pessoas. Sim, com pessoas. Porque são elas que fazem as marcas. E de facto, olhando para trás, o sorriso fica bem aberto: trabalhei com pessoas ótimas, que me ensinaram, que me desafiaram, que me contrariaram, me deram alegrias, deram arrepios e às vezes até dores de barriga. As que lembro são as que me fizeram alguma dessas coisas. E ao cruzar-me com elas, e com as marcas, aprendi coisas que resumo em três conselhos, porque de facto é o que merece ser partilhado. Não precisam de ser para vida, mas a todos os que trabalham com marcas, e com pessoas, vejam lá se algumas destas dicas não vos fazem sentido:

  1. As más notícias dá tu. É isso, chamem a vocês esta tarefa. Dar boas notícias é fácil, e até serve de lubrificante ao muito trabalho diário que todos temos com parceiros. Mas as más notícias podem emperrar e gerar conflito ou entropia. Se partem de uma decisão nossa, então sejamos nós a dá-las. Só nós as saberemos justificar. É simples, mas aprendi que resulta bem melhor assim. Se quiserem usem este, “for free”. Eu não o inventei, foi-me também dito há uns bons anos e adotei. Não deleguem as más notícias. Podem delegar as boas, mas não as más.
  2. Este segundo conselho vem de um chefe que tive, por acaso um mau chefe, mas que resulta num bom mantra: se queres muito resolver um problema, então não deixes de pensar nele. E é verdade, isto de construir e trabalhar marcas é imersivo, não se desliga. Comigo não tem funcionado a questão do interruptor. Não consigo desligar. Consigo pôr em pausa, mas não dá para desligar. Fica sempre lá uma coisa sempre a trabalhar, lá na preguinha mais funda do cérebro. E é deixar a trabalhar e voltar lá as vezes que forem precisas. Porque neste mercado, quase tudo se resolve com a cabeça. E ainda bem. Não abdiquem disso. Os problemas não desaparecem por si. Pensem neles até os resolverem.
  3. E por último, o mais simples mas que pode contradizer a primeira noção que temos acerca do que fazemos. Comunicar não é falar. É muito mais ouvir. Já a nossa professora da primária nos dizia e eu subscrevo: “tens duas orelhas e uma boca, usa em proporção”. E é tão verdade. Ouçam o mais possível. Ouçam as pessoas, ouçam os vossos consumidores ou públicos. Ouçam os vossos colegas, mesmo que sejam financeiros ou engenheiros. Sim, até esses ;-). Ouçam o mais possível. E processem tudo. E depois então vejam o que vale a pena dizer, porque de marcas surdas estamos todos entediados.

E agora, depois disto tudo, é voltar a baralhar e dar o jogo novamente, para mais 30 anos de jogo. Venha 2026, venha uma economia forte, venha estabilidade e venham marcas muito bem trabalhadas. Se puder desejar ainda que sejam marcas portuguesas, melhor. Bom ano a todos os das marcas!

  • António Fuzeta da Ponte
  • Diretor de marca e comunicação da Nos

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