Conselhos de marca amadurecidos em cascos de carvalho muito velho
Venha 2026, venha uma economia forte, venha estabilidade e venham marcas muito bem trabalhadas. Se puder desejar ainda que sejam marcas portuguesas, melhor. Bom ano a todos os das marcas!
No outro dia, em conversa com um amigo e colega de profissão chegamos a uma conclusão gira. Temos exatamente a mesma idade, somos do verão de 72, e atingimos agora outro grande número: temos os dois 30 anos de carreira cada um. Exatamente igual. Andamos nisto das marcas, desenvolvimento de campanhas, design, publicidade, ativações, meios, digital e tudo o mais, há três décadas. Lá está, é giro, mas só o é para nós.
Ou seja, nada demais, podem vocês pensar, se calhar até foram colegas de curso. Mas não, só nos conhecemos mais tarde. E tem piada que conheço mais uns dois ou três, também do mesmo ano, que fui encontrando pela vida e pela carreira. Tem piada que também ficaram bons amigos.
Mas, de novo, só, tem piada para mim. A vocês que leem isto, é zero útil. De nada serve a antiguidade, se não te acrescenta valor, ou conhecimento. E como sempre diz esse meu amigo, o conhecimento só é útil se for ser partilhado.
Vai daí, e porque penso que não interessa assim tanto a experiência técnica recolhida ao longo dos anos, acho que o fica mesmo foi o que aprendi por lidar tanto com pessoas. Sim, com pessoas. Porque são elas que fazem as marcas. E de facto, olhando para trás, o sorriso fica bem aberto: trabalhei com pessoas ótimas, que me ensinaram, que me desafiaram, que me contrariaram, me deram alegrias, deram arrepios e às vezes até dores de barriga. As que lembro são as que me fizeram alguma dessas coisas. E ao cruzar-me com elas, e com as marcas, aprendi coisas que resumo em três conselhos, porque de facto é o que merece ser partilhado. Não precisam de ser para vida, mas a todos os que trabalham com marcas, e com pessoas, vejam lá se algumas destas dicas não vos fazem sentido:
- As más notícias dá tu. É isso, chamem a vocês esta tarefa. Dar boas notícias é fácil, e até serve de lubrificante ao muito trabalho diário que todos temos com parceiros. Mas as más notícias podem emperrar e gerar conflito ou entropia. Se partem de uma decisão nossa, então sejamos nós a dá-las. Só nós as saberemos justificar. É simples, mas aprendi que resulta bem melhor assim. Se quiserem usem este, “for free”. Eu não o inventei, foi-me também dito há uns bons anos e adotei. Não deleguem as más notícias. Podem delegar as boas, mas não as más.
- Este segundo conselho vem de um chefe que tive, por acaso um mau chefe, mas que resulta num bom mantra: se queres muito resolver um problema, então não deixes de pensar nele. E é verdade, isto de construir e trabalhar marcas é imersivo, não se desliga. Comigo não tem funcionado a questão do interruptor. Não consigo desligar. Consigo pôr em pausa, mas não dá para desligar. Fica sempre lá uma coisa sempre a trabalhar, lá na preguinha mais funda do cérebro. E é deixar a trabalhar e voltar lá as vezes que forem precisas. Porque neste mercado, quase tudo se resolve com a cabeça. E ainda bem. Não abdiquem disso. Os problemas não desaparecem por si. Pensem neles até os resolverem.
- E por último, o mais simples mas que pode contradizer a primeira noção que temos acerca do que fazemos. Comunicar não é falar. É muito mais ouvir. Já a nossa professora da primária nos dizia e eu subscrevo: “tens duas orelhas e uma boca, usa em proporção”. E é tão verdade. Ouçam o mais possível. Ouçam as pessoas, ouçam os vossos consumidores ou públicos. Ouçam os vossos colegas, mesmo que sejam financeiros ou engenheiros. Sim, até esses ;-). Ouçam o mais possível. E processem tudo. E depois então vejam o que vale a pena dizer, porque de marcas surdas estamos todos entediados.
E agora, depois disto tudo, é voltar a baralhar e dar o jogo novamente, para mais 30 anos de jogo. Venha 2026, venha uma economia forte, venha estabilidade e venham marcas muito bem trabalhadas. Se puder desejar ainda que sejam marcas portuguesas, melhor. Bom ano a todos os das marcas!
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