Bondalti rejeita reprogramar agenda mobilizadora que lidera apesar das incertezas
Ao contrário do que aconteceu com outras agendas da área da energia, a Bondalti não pediu para reprogramar a H2Enable, a agenda mobilizadora que lidera.
A Bondalti não pediu para reprogramar a agenda mobilizadora que lidera, a H2Enable, apurou o ECO, ao contrário do que aconteceu com outras agendas da área da energia. A Bondalti, que está presente em várias agendas, já recebeu até agora 13,8 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A H2Enable tem como objetivo acelerar e transformar a cadeia de valor do hidrogénio verde em Portugal, a partir do complexo químico de Estarreja. Em causa está um investimento de 147,81 milhões de euros, que conta com um apoio de 60,27 milhões do PRR. Nesta agenda, a Bondalti já recebeu cerca de 13,5 milhões de euros dos cerca de 56 milhões que lhe foram atribuídos, revela o Portal da Transparência. As verbas foram recebidas maioritariamente pela Bondalti H2 e uma parte residual (778,37 mil euros) pela Bondalti Chemicals.
Apesar da produção de hidrogénio verde não ser ainda um mercado maduro; de haver muitos projetos a caírem ou a diminuírem a ambição, quer em Portugal, quer noutros países; da indefinição e incertezas quanto às tecnologias de produção e dos elevados custos financeiros, o grupo José de Mello optou por não reduzir a ambição da sua agenda, nem alagar o prazo de execução para junho de 2026, no âmbito do exercício de reprogramação das agendas mobilizadoras, que resultou num reforço de 319 milhões de euros. No entanto, nada impede as agendas de solicitar ao IAPMEI ajustamentos ao longo do tempo.
O ECO pediu à empresa para justificar a opção, mas a resposta foi negativa. “Nesta fase, esses temas ainda estão em aberto e em discussão e a Bondalti não tem nenhum comentário a fazer”, disse ao ECO fonte oficial da empresa.
A Bondalti está presente em mais duas agendas mobilizadoras, lideradas por outras empresas. Uma é a NGS – New Generation Store, uma agenda de 99,81 milhões de euros que, tendo por base um “modelo estruturado em oito Work Packages que abarcam a totalidade da cadeia de valor de produção de componentes, packs e reciclagem de baterias, se propõe a agregar valor a cada etapa do processo, culminando num objetivo comum: a criação de um novo ecossistema tecnológico na área das baterias que se irá destacar a indústria nacional no mercado global”. De acordo com o Portal da Transparência, a Bondalti, um dos 54 elementos do consórcio, liderado pela DST Solar, apenas recebeu 129,96 mil euros desta agenda que, de acordo com o site do IAPMEI, não terá feito uma revisão dos produtos e serviços que pretende apresentar.
É nesta agenda que a empresa do grupo José de Mello se propõe criar uma fábrica de demonstração, que lhe permita provar ao mercado a sua capacidade para refinar lítio. A Bondalti optou, numa primeira fase, por criar uma fábrica de demonstração em Coimbra, antes de o projeto poder ganhar escala, explicou a Comissão de Acompanhamento do PRR, na sequência de uma visita à empresa, em outubro do ano passado. “A escala pode ser mais ou menos demorada, dependendo do avanço da cadeia de lítio em Portugal, sendo estes os primeiros passos para criar sinergias com a produção. Não existindo produção em Portugal, será necessário proceder a importação do produto para testar a fábrica modelo”, alertava Pedro Dominguinhos.
O grupo, através da Lifthium Energy (cujo capital pertence em 85% à José de Mello e 15% Bondalti), pretende construir uma refinaria de lítio, num investimento de 492 milhões de euros, mas que já não se insere no âmbito do PRR.
Este projeto foi reconhecido, em março, como um projeto Estratégico pela Comissão Europeia, ao abrigo da nova legislação para as matérias-primas críticas, o que lhe permite aceder a outras verbas para o financiar, já que os prazos não são consentâneos com os do PRR. A execução das agendas mobilizadoras pode ser estendida até junho de 2026, mas a construção de uma refinaria demorara cerca de 24 meses.
Entretanto, em junho, a empresa já deu início ao processo de licenciamento ambiental para a construção da refinaria, avançou o Expresso.
“O projeto tem demorado mais do que as nossas expectativas”, disse o CEO Salvador de Mello na apresentação dos resultados anuais, no início de junho. “Acreditamos que há valor significativo neste projeto. Continuamos a trabalhar na concretização desta operação. Mas ainda não estamos em condições de tomar decisões”, acrescentou na altura.
A decisão firme é a de que a refinaria ficará em Portugal e não em Espanha, como chegou a ser ponderado. Espanha apresentava vantagens, sobretudo no licenciamento industrial, como chegou a reconhecer o administrador Luís Delgado, numa conferência do ECO. O Governo espanhol anunciou em setembro de 2024 a atribuição de um apoio de mais de 21 milhões à Lifthium Energy Cantabria, em Torrelavega, para a construção da refinaria de lítio verde.
A terceira agenda na qual a Bondalti participa é a H2 Driven, liderada pela Efacec. Neste caso, não foram recebidas quaisquer verbas. Tal como o ECO avançou, esta agenda vai mudar de liderança para a Capwatt Metanol.
A semana passada, a Bondalti anunciou a conclusão de um investimento de 41 milhões de euros, com apoio do PRR, “um dos maiores investimentos na sua história”. Mas não se inseriu no âmbito das agendas mobilizadoras (C5), mas antes na componente de descarbonização da indústria (C11).
O projeto RePower Chemicals tem um apoio do PRR de 30,84 milhões de euros para reduzir o impacto ambiental dos processos produtivos do complexo industrial de Estarreja, com vista a melhorar a sua independência e eficiência energética. E, de acordo com o portal da transparência, a empresa química do universo José de Mello já recebeu 10,95 milhões.
(Notícia atualizada com mais informação)
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