Morreu Valentino Garavani, imperador da moda italiana
A casa que fundou em 1959 foi vendida em 1998 e o criador de moda estava retirado desde 2008.
O criador de moda italiano Valentino morreu esta segunda-feira, confirmou a fundação com o seu nome. Tinha 93 anos.
“Valentino Garavani morreu na sua casa de Roma, rodeado dos seus seres queridos”, disse a fundação Valentino no Instagram, citada pela Reuters.
Viveu, e trabalhou, o tempo suficiente para o terem descrito como costureiro, estilista, designer. Foi um criador de moda, um nome que se associa a uma cor – vermelho – e fez história no século XX. É dele o o vestido drapeado que a atriz Elizabeth Taylor usou na estreia do filme “Spartacus”, em 1960; é dele o vestido que Jacqueline Kennedy usou no casamento com Onassis; é dele o fato usado por Farah Diba para sair do Irão, após a deposição do marido, o xá, em 1979; é dele o vestido que Bernardette Chirac usou na tomada de posse de Jacques Chirac, em 1995; e é dele o vestido usado por Julia Roberts no momento em que recebeu o óscar de melhor atriz pelo filme “Erin Brokovich”.
“O imperador já não está entre nós”, diz o jornal italiano La Reppublica, citando uma famosa frase de Valentino Garavani: “O que desejam as mulheres? Ser belas”. Adotou o vermelho como cor muito cedo, depois de ver uma ópera com os pais, em Barcelona. “Todas ficavam mais belas de vermelho”, disse. O sentido estético acompanhou-o desde muito pequeno. Na adolescência encomendava roupa à medida e mudava os botões de todos os seus blazers.

Valentino nasceu a 11 de maio de 1932, em Voghera, no sul de Milão. Fundou a maison com o seu nome em 1959, em Roma, a sua cidade. Retirou-se em 2008, com um desfile em Paris, e nos últimos anos só abriu exceção para voltar à moda para desenhar o vestido de noiva de Madalena da Suécia e da atriz Anne Hathaway ou desenhar os figurinos da ópera La Traviata. Foi mais bon vivant que artista torturado, diz o New York Times. Passou os último anos dedicado à vida social e às suas várias casas.
Ao lado do sócio mais antigo, Giancarlo Giametti, que foi também seu companheiro durante 12 anos, conseguiu um lugar no restrito círculo da alta-costura francesa e abriu caminho para outros italianos, como Giorgio Armani, que morreu em 2025, e Versace. Foi o primeiro designer a ter o seu nome na bolsa de Milão.

Em 1998, Valentino e Giametti venderam a empresa em 1998 ao conglomerado HdP por cerca de 300 milhões de euros. Foi a época que começaram a surgir no mercado grandes companhias como a LVMH ou a Gucci. Era quase impossível concorrer como independente, nota o New Yotk Times. Depois disso, a empresa mudou várias vezes de mãos. Da HdP para a Marzotto, que criou em 2005 o Valentino Fashion Group. Dois anos depois o fundo Permira adquiriu a empresa. Atualmente, a marca é detida pelo fundo Mayhoola, que nomeou um novo CEO – Riccardo Bellini, ex-Maison Margiela.
Após a saída de Valentino, a empresa conheceu várias mudanças na sua direção criativa. De Alessandra Facchinetti para Pierpaolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri. Alessandro Michel assumiu a liderança após a saída de Piccioli.
As cerimónias fúnebres acontecem na quarta e quinta-feira. O funeral terá lugar em Roma na sexta-feira, às 11:00.
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