Magnata da imprensa pró-democracia de Hong Kong sentenciado a 20 anos de prisão

Lusa e ECO,

Jimmy Lai, crítico do Partido Comunista Chinês, tinha sido detido em 2020 ao abrigo de uma lei de segurança nacional imposta pela China. De nada serviram as pressões de Reino Unido e Estados Unidos.

Um tribunal de Hong Kong sentenciou esta segunda-feira o ex-magnata da comunicação social pró-democracia Jimmy Lai, com nacionalidade britânica, a uma pena total de 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa.

O empresário, fundador do jornal pró-democracia Apple Daily – entretanto encerrado -, corria o risco de ser condenado a prisão perpétua, não obstante as pressões do Reino Unido, dos Estados Unidos e organizações defensoras dos direitos humanos a favor de sua libertação.

Jimmy Lai foi considerado culpado em 15 de dezembro por três acusações, no desfecho de um julgamento que, segundo os defensores dos direitos humanos, marcou o fim da liberdade de imprensa de que o território, retrocedido pelo Reino Unido à China em 1997, se orgulhava há décadas.

Jimmy Lai, um crítico do Partido Comunista Chinês, foi preso em 2020 ao abrigo de uma lei de segurança nacional imposta pela China e aprovada nesse ano, que Pequim considerou necessária para a estabilidade da cidade após os protestos antigovernamentais no ano anterior.

A sentença de Jimmy Lai pode criar tensões entre Pequim e governos estrangeiros, depois da condenação já ter suscitado as críticas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Após o veredicto em dezembro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que tinha pedido ao homólogo chinês, Xi Jinping para ponderar a libertação de Jimmy Lai, e afirmou que se sentia “muito mal” com a condenação. “Sinto-me muito mal”, disse na altura Trump aos jornalistas. “Falei com o Presidente Xi sobre isso e pedi que considerasse a sua libertação”, revelou.

Também o Reino Unido pediu que o magnata de 78 anos fosse “libertado imediatamente”, com a chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, a condenar a decisão, considerando-a uma “perseguição por motivos políticos”.

Jimmy Lai foi considerado culpado de conluio com pessoas e forças estrangeiras e de publicar artigos sediciosos no Apple Daily, pedindo a forças estrangeiras que impusessem sanções ou bloqueios ou se envolvessem em outras atividades hostis contra Hong Kong ou a China.

O magnata e outros réus no mesmo processo — seis ex-jornalistas do Apple Daily e dois ativistas — devem ser presentes em tribunal na segunda-feira para ouvir o veredicto. As eventuais condenações ao abrigo da lei de segurança podem ser punidas com uma pena máxima de prisão perpétua.

Jimmy Lai declarou-se inocente de todas as acusações. Já os seus seis ex-colegas do Apple Daily e os dois ativistas aceitaram a culpa, o que poderá ajudá-los a obter penas reduzidas.

Jimmy Lai já tinha sido condenado por vários crimes menores relacionados com alegações de fraude e ações no âmbito dos protestos em Hong Kong em 2019. Encontra-se a cumprir uma pena de prisão de quase seis anos por esses crimes.

Taiwan condena “dura” pena de 20 anos de prisão

O Governo de Taiwan já veio condenar a “dura” sentença de 20 anos de prisão imposta em Hong Kong ao magnata da imprensa pró-democracia Jimmy Lai, denunciando o uso “ilegítimo” da segurança nacional para “reprimir as liberdades fundamentais”.

Num comunicado emitido após a leitura da sentença, o Conselho para os Assuntos do Continente (MAC) – entidade responsável pelas relações com a China continental – exigiu o “fim da perseguição política” e a “libertação imediata” de Lai, condenado por conspiração com forças estrangeiras e divulgação de publicações sediciosas.

“A severa pena aplicada a Jimmy Lai ao abrigo da Lei de Segurança Nacional de Hong Kong não só o priva da liberdade pessoal e esmaga a liberdade de expressão e de imprensa, como também nega o direito fundamental dos cidadãos a responsabilizarem os seus governantes”, afirmou o MAC.

Segundo a entidade, este caso demonstra novamente que, sob o modelo de “um país, dois sistemas” promovido pelo Partido Comunista Chinês (PCC), as liberdades e direitos prometidos aos habitantes de Hong Kong “não passam de meras declarações formais”, tendo o sistema judicial sido convertido numa “ferramenta de repressão política e de vingança contra dissidentes”.

O Governo de Taipé criticou ainda o facto de os crimes imputados ao empresário incluírem a sua influência mediática e ligações internacionais no âmbito da segurança nacional, com o objetivo de “criar um efeito dissuasor que transcenda setores e fronteiras”.

“Não se trata de um caso isolado nem exclusivo de Hong Kong, mas de um sinal de alerta de que o PCC está a acelerar a exportação do seu autoritarismo”, declarou o MAC, apelando aos cidadãos taiwaneses para que “tomem como advertência a dolorosa experiência de Hong Kong” e protejam o seu “modo de vida livre”.

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