Estée Lauder supera previsões e dispara em bolsa

Lina Santos,

A empresa norte-americana, em reestruturação, voltou aos lucros no ano fiscal que terminou a 30 de junho de 2026, pondo fim a três anos consecutivos de maus resultados.

Mais vendas e mais lucros resumem os resultados da Estée Lauder no ano fiscal terminado a 30 de junho de 2026, apresentados esta quarta-feira pela empresa norte-americana. Os números põem fim a três anos consecutivos de perdas e foram recebidos com otimismo na bolsa.

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As ações da empresa estão a disparar mais de 18% em Wall Street. “Até ao fecho de terça-feira, os títulos acumulavam uma queda de cerca de 20% desde o início do ano”, sublinhou a Bloomberg.

Em comunicado, a empresa norte-americana reporta 15.049 milhões de dólares de vendas líquidas, um crescimento de 5% em relação a 2025, e regressou aos lucros. O resultado líquido da companhia atingiu 182 milhões de dólares, enquanto decorre o plano de recuperação da companhia, Profit Recovery and Growth Plan (PRGP).

“Reacendemos o crescimento, com as vendas orgânicas a aumentarem 3%, impulsionadas pela amplitude do crescimento entre marcas, e alcançámos uma expansão significativa da margem operacional”, afirmou Stéphane de La Faverie, presidente executivo da Estée Lauder desde 2024. O resultado operacional ajustado subiu 47%, para 1.687 milhões de dólares, e a respetiva margem passou de 8% para 11,2%.

A recuperação das contas reportadas beneficia, contudo, de uma base de comparação penalizada por custos extraordinários. O resultado operacional passou de uma perda de 785 milhões para um lucro de 780 milhões de dólares, mas o exercício de 2025 incluía imparidades de 1.286 milhões e encargos de 159 milhões relacionados com acordos em processos judiciais sobre pó de talco.

Em 2026, a reestruturação continuou a limitar a conversão da recuperação operacional em lucro contabilístico, segundo os dados do comunicado. Os encargos associados ao Profit Recovery and Growth Plan ascenderam a 823 milhões de dólares, quase metade do resultado operacional ajustado, aos quais se juntaram 84 milhões relacionados com o acordo de uma ação coletiva de investidores.

O PRGP acumulava custos de 1.400 milhões de dólares no final de junho e estimava uma redução líquida de cerca de 10 mil postos de trabalho, o máximo previsto pelo plano, resultado da reorganização e reajustamento em certas áreas, simplificação e aceleração de processos, outsourcing de serviços e evolução dos modelos de venda. Em contrapartida, espera obter benefícios brutos anuais de 1.200 milhões de dólares para “ajudar a restaurar a margem operacional, compensar a inflação e financiar um maior reinvestimento em áreas dirigidas ao consumidor”, segundo o comunicado.

Perfumes apoiam crescimento

Por áreas de negócio, as fragrâncias foram o principal motor do crescimento da Estée Lauder, com uma subida orgânica das vendas de 10%, liderada por algumas marcas de nicho como Le Labo e Kilian Paris, mas também Tom Ford. Os cuidados de pele, principal fonte de receita da Estée Lauder, cresceram 4%, apoiados pelas marcas La Mer, The Ordinary e Estée Lauder, enquanto a maquilhagem, de que fazem parte as marcas MAC e Bobbi Brown, se manteve estável e passou para uma perda operacional ajustada devido ao aumento do investimento comercial. Os cuidados capilares recuaram 1%.

Por geografias, a China continental liderou o crescimento, com uma progressão orgânica de 9%, seguida pela região da Ásia Pacífico, com 4%. As Américas e a região que agrega a Europa, o Reino Unido e os mercados emergentes cresceram ambas 1%, tendo a América do Norte regressado ao crescimento no quarto trimestre. A empresa acredita que o impacto da situação no Médio Oriente não terá reflexo nos resultados de 2027.

Segundo o comunicado da Estée Lauder, a geração de caixa também melhorou. O fluxo de caixa operacional aumentou 39%, para 1.773 milhões de dólares, e o fluxo de caixa livre quase duplicou, de 670 para 1.316 milhões, beneficiando da redução do investimento de 602 para 457 milhões. Segundo o comunicado, esta evolução refletiu “fluxos de caixa robustos das operações, bem como a redução das despesas de capital”.

Para 2027, a Estée Lauder manteve a previsão de crescimento orgânico entre 3% e 5% e elevou a orientação para a margem operacional ajustada, agora situada entre 12,7% e 13,5%. “Estamos a aumentar a nossa confiança numa aceleração do crescimento orgânico das vendas”, afirmou Stéphane de La Faverie, acrescentando que o grupo pretende diversificar o crescimento entre categorias e geografias.

Este ano, a Estée Lauder tentou uma fusão com a empresa espanhola Puig, que lhe permitiria subir ao pódio das maiores empresas de beleza e cosmética do mundo. Mas o negócio não aconteceu.

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