A arte(mis) de levar marcas à Lua

Não é product placement. É simplesmente a vida real a acontecer… até no espaço, as marcas mais próximas continuam a ser as que já fazem parte do nosso dia-a-dia.

A NASA faz um esforço consciente para evitar marcas. Sendo uma agência federal, procura não promover ostensivamente empresas ou interesses privados. Nos documentos oficiais, Coca-Cola ou Pepsi tornam-se “carbonated beverages” e M&M’s passam a ser “candy-coated chocolates”.

Mas, mesmo quando a NASA tenta apagar as marcas, elas continuam a existir, a ser relevantes e a fazer história. A missão Artemis II não foi exceção.

Comecemos pelo mais simples, mas talvez o mais poderoso: os astronautas continuam a ser humanos. Mesmo quando estão a cerca de 380 mil quilómetros da Terra. Na cápsula Orion Integrity, um frasco de Nutella apareceu a flutuar em microgravidade, tornando-se “o creme de barrar que chegou mais longe na história”. Não sabemos se terá o impacto que Tang teve nos anos 60 e 70, quando se transformou na bebida dos astronautas, com o sabor do futuro, e era utilizado nas missões Mercury e Gemini para disfarçar o sabor metálico da água reciclada durante essas viagens.

Para além de Nutella, e tal como já aconteceu noutras missões, iPhones da Apple foram usados pela tripulação para fotografias e vídeos da viagem.

Não é product placement. É simplesmente a vida real a acontecer… até no espaço, as marcas mais próximas continuam a ser as que já fazem parte do nosso dia-a-dia.

Depois há as que chegam lá por uma razão muito menos romântica: porque funcionam.

No espaço, mais do que marketing, existe engenharia. Máquinas fotográficas da Nikon ajudam a documentar a missão, materiais capazes de resistir a temperaturas extremas protegem sistemas críticos da nave e a própria Orion Integrity inclui isolamentos térmicos com cortiça portuguesa, produzida pela Corticeira Amorim.

São marcas que raramente aparecem na fotografia, mas sem as quais a fotografia talvez nem existisse.

Há ainda um terceiro grupo, as que fazem parte da própria história da exploração espacial. O relógio Omega Speedmaster acompanha astronautas desde os anos 60 e foi o primeiro relógio usado na Lua. A Fisher Space Pen, por sua vez, acompanha voos humanos há mais de cinco décadas — incluindo agora na Artemis II. Um mede o tempo da exploração, a outra regista as pequenas e grandes descobertas de cada dia em órbita.

Finalmente, uma das frases mais fortes desta nova missão veio da astronauta Christina Koch, ao regressar do fly-by lunar, “We will always choose Earth”. Curiosamente, essa frase já existe há alguns anos como mote da estratégia de marca e sustentabilidade da EDP, que reagiu reforçando “Porque escolher a Terra não é garantido. É uma decisão”.

As marcas aparecem nos grandes momentos culturais por razões diferentes: tecnologia, legado histórico, presença no quotidiano ou simplesmente pelas ideias que escolhem defender. Mas só algumas conseguem transformar essa presença na verdadeira arte de fazer história.

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