O IRS das marcas

  • Elgar Rosa
  • 24 Abril 2026

As marcas têm espaço, meios e audiência, as IPSS têm causas urgentes e impacto real na vida das comunidades. A ligação entre marcas e causas deve ser ainda mais reforçada.

Estamos em plena fase de IRS, na qual cerca de 6 milhões de contribuintes são chamados a apresentar a sua declaração anual dos rendimentos obtidos no ano anterior. Se esta é uma altura importante para muitas pessoas, por permitir reforçar poupanças, financiar férias ou fazer face a despesas inesperadas, é também o momento mais decisivo do ano para muitas instituições de solidariedade social, ambientais, culturais ou religiosas.

Para muitas destas organizações, é nesta fase que se assegura grande parte do orçamento, valor que de outra forma dificilmente conseguiriam arrecadar, por estarem centradas, imaginem, nas causas para as quais foram criadas. E para quem ainda não tem noção do peso da consignação, é importante que se saiba que, em 2026, foram atribuídos 74,9 milhões de euros a 5.059 entidades, referentes ao IRS de 2025.

E ainda há um longo caminho a percorrer. Nunca é demais lembrar que, se os contribuintes não consignarem o seu IRS a favor de uma IPSS, isso não vai aumentar o seu reembolso. O valor correspondente fica integralmente nos cofres do Estado. Por outro lado, com a mudança na lei em 2024 (Lei n.º 42/2024), o limite da consignação aumentou de 0,5% para 1% do IRS liquidado, o que, em 2026, representou o dobro do valor consignado no ano anterior.

Mas o que é que as marcas têm que ver com este tema? Lembrei-me disto a propósito do esforço que tantas IPSS fazem nesta altura para terem campanhas que, simultaneamente, mostrem um pouco do que fazem durante o ano e apelem à solidariedade dos contribuintes. Só isso, do meu ponto de vista, merece a atenção dos profissionais de comunicação, sejam criativos, gestores ou jornalistas, tanto pela energia que estas organizações mobilizam para criar campanhas sem comprometer a sua missão, como pelo exemplar movimento que agências criativas, produtoras e meios de comunicação geram para lhes dar visibilidade, muitas vezes pro bono.

Apesar da dedicação, muitas destas campanhas têm uma visibilidade bastante reduzida e até mesmo limitada às redes sociais, aos canais próprios das instituições e à solidariedade de embaixadores, mais ou menos conhecidos. E é aqui que as marcas poderiam entrar, cedendo parte do seu espaço já comprado. Com um oráculo a indicar que aquele espaço foi cedido pela marca X, mais IPSS poderiam ter visibilidade e, consequentemente, receitas para cumprirem um importante trabalho, seja ambiental, social, religioso, apoio a doentes, entre outros.

Num momento em que a atenção é um dos recursos mais disputados, a ligação entre marcas e causas deve ser ainda mais reforçada. As marcas têm espaço, meios e audiência, as IPSS têm causas urgentes e impacto real na vida das comunidades. Com este movimento, não estaríamos apenas a dar visibilidade às causas e a apoiar as suas vitais necessidades de financiamento, mas também a alcançar parte dos 50% de contribuintes que ainda não consignam o seu IRS.

 

*Elgar Rosa é também vice-presidente da Operação Nariz Vermelho.

  • Elgar Rosa
  • Fundador e diretor executivo da Pure

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