Futuro da dona da Visão decidido na segunda-feira
A assembleia de credores foi pedida por um grupo de jornalistas, que tenta manter a Visão, e reforçada pelo administrador de insolvência.
O futuro de títulos como a Visão, a Exame, o Jornal de Letras ou a Caras vai ser decidido na próxima segunda-feira, dia 22. Reunidos em assembleia, os credores vão discutir e votar a “tramitação subsequente associada à liquidação do património da insolvente já apresentada no plano de liquidação (…), assim como um eventual plano de recuperação global que permita a continuidade da atividade da insolvente e o ressarcimento dos credores por via dos rendimentos gerados por essa atividade, até à venda definitiva do estabelecimento”, lê-se no documento do tribunal datado de 1 de setembro.
Na prática, em cima da mesa poderá estar a eventual apresentação de um plano de recuperação global da empresa – o que de acordo com a informação recolhida pelo +M não é o mais provável – ou a tramitação da liquidação da TrustinNews (TiN), ou seja, os moldes em que será feita a venda da empresa ou dos seus títulos.
Neste ponto, tudo parece estar em aberto, com André Pais, administrador de insolvência, a admitir que “têm existido conversas” com potenciais interessados, mas que não existe nenhuma proposta concreta nem está feita a avaliação dos títulos.
Para Rui Tavares Guedes, diretor da Visão, a melhor solução passará pela possibilidade de um grupo de cerca de 15 jornalistas ficarem com o título. “Vamos bater-nos pela possibilidade de comprar o título, enquanto ele vale alguma coisa“, diz em conversa com o +M.
Nas últimas semanas a Visão está a ser feita por cerca de 20 jornalistas, que teimam em fazer chegar a revista às bancas. “São as pessoas que estão a aguentar isto há meses” e que acreditam que o titulo é viável. “Não estamos a defender os nossos empregos. Estamos a defender o projeto jornalístico da Visão, que achamos que tem viabilidade. Estes meses dizem-nos que sim“, prossegue, apontando os vários exemplos de apoio que têm chegado à redação e também as vendas em banca.
Em agosto, concretiza, as previsões apontam para uma média de 11 mil exemplares por edição, número superior ao mês homólogo. “Acho que há público e público disponível para comprar [a Visão]”, acredita.
No dia 8 de agosto, recorde-se, o tribunal suspendeu a comunicação oficiosa do encerramento da atividade da TiN, que tinha sido pedido pelo administrador de insolvência, aguardando informação efetiva deste ou uma eventual deliberação de assembleia de credores.
Em 28 de julho, André Pais requereu a suspensão temporária até o mais tardar 8 de outubro da decisão de encerrar a atividade da dona da Visão, entre outros títulos, depois de, em 18 de julho, o tribunal ter decidido não homologar o plano de recuperação e ter determinado a apreensão e liquidação do ativo, bem como o encerramento da atividade.
Onze trabalhadores da Visão, incluindo o diretor, pediram ao tribunal para convocar uma nova assembleia de credores da Trust in News com dois pontos, entre os quais que a revista continue em funções até à sua venda. De acordo com o requerimento, o grupo de jornalistas considera que, segundo a avaliação que fazem, “justifica que o tribunal possa — e deva — convocar uma nova assembleia de credores”, tendo em vista dois pontos.
O primeiro é a “possibilidade de o plano de insolvência ser homologado, dele se excluindo a cláusula” que o tribunal “considerou ilegal”.
Em alternativa, “mesmo que essa possibilidade não seja viável, a autorização para que, até à venda do título da Visão, a revista se possa manter em funções, sob a égide do administrador de insolvência, considerando o plano que nesta data lhe foi entregue para apreciação, com as demais condições que venham a ser aprovadas nessa assembleia de credores”, lê-se no documento.
Paralelamente, o grupo de jornalistas admitia estar a analisar a possibilidade de poder ficar com a revista. Entretanto, Luís Delgado, acionista único da TiN, também recorreu da decisão de não homologação do plano de insolvência da empresa.
Atualmente a Trust em News tem cerca de 60 trabalhadores. Os ordenados de julho e agosto estão em atraso e o despedimento coletivo concretiza-se para a totalidade dos trabalhadores no dia 8 de outubro.
Fundada no final de 2017, a Trust in News é detentora de 16 órgãos de comunicação social, em papel e plataformas digitais, como a Exame, Caras, Courrier Internacional, Jornal de Letras, Activa, Telenovelas, TV Mais, entre outros.
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