UMinho cria microfibras que mantêm temperatura das casas já a pensar no aeroespacial

Além da construção civil, estas microfibras poderão, futuramente, ser aplicadas em vestuário técnico, na indústria aeroespacial e por militares.

Nathalia Hammes, investigadora da Universidade do Minho

Um grupo de investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) está a desenvolver microfibras inteligentes capazes de regular a temperatura dos materiais de construção, como pavimentos betuminosos e argamassas de cimento para edifícios urbanos. No futuro, poderão ser aplicadas em vestuário técnico ou na gestão térmica passiva de satélites e sensores aeroespaciais.

Para já, os resultados preliminares desta investigação indicam que as microfibras mantêm temperaturas mais estáveis do que as soluções convencionais. “Esta solução pode ajudar a estabilizar a temperatura nos edifícios e evitar o uso excessivo de ar condicionado ou aquecedores”, assinala Nathalia Hammes, uma das cientistas envolvidas no projeto, citada num comunicado da UMinho.

Segundo Nathalia Hammes, estas microfibras são capazes de regular a temperatura dos edifícios, combatendo a pobreza energética e o efeito de ilha de calor urbana, “tornando as cidades mais confortáveis, económicas e resilientes a climas extremos“.

Esta investigação integra dois projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT): o projeto exploratório (RE)NERGY-BUILD e o projeto de doutoramento em Engenharia de Materiais de Nathalia Hammes. Ambos são coordenados pelos professores Joaquim Carneiro (Centro de Física da ECUM), Iran Rocha Segundo (CERIS/Instituto Superior Técnico) e pela investigadora Helena Prado Felgueiras (Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da UMinho).

Esta solução pode ajudar a estabilizar a temperatura nos edifícios e evitar o uso excessivo de ar condicionado ou aquecedores.

Nathalia Hammes

Investigadora na Universidade do Minho

Segundo a doutoranda, as fibras funcionam como pequenos cabos, “com o núcleo contendo os materiais de mudança de fase (PCMs) e o revestimento a protegê-los”. O processo é explicado da seguinte forma: durante o aquecimento ou o arrefecimento, o núcleo muda de fase, absorvendo ou libertando energia que altera a temperatura do compósito.

Por enquanto, a equipa encontra-se a avaliar a viabilidade económica da implementação desta solução e tem previsto testar os materiais em cenários climáticos extremos.

Além da engenharia civil, estas microfibras poderão, futuramente, ser aplicadas em vestuário técnico, em equipamentos para militares em ambientes com grandes variações de temperatura e até na gestão térmica passiva de satélites e sensores aeroespaciais.

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