Quando o LinkedIn mente

  • Joana Garoupa
  • 30 Abril 2026

O LinkedIn pode “mentir” num perfil, campanhas esquecem-se, títulos passam… mas a forma como uma marca é vivida e confiada… essa, sim, fica.

Algumas histórias começam por nos fazer rir… e terminam por nos fazer pensar. Esta é uma delas. Há algum tempo, a vaguear pelo YouTube, deparei-me com um TED Talk de Chris Duffy, um comediante que decidiu brincar com o mundo do LinkedIn. Fascinado pelo tom sério da plataforma — onde todos parecem ter carreiras impecáveis, projetos transformadores e títulos pomposos — teve uma ideia simples: criou um perfil e declarou-se CEO do LinkedIn. Só isso.

Sem conhecer ninguém na empresa, sem histórico profissional na organização e sem aprovação de qualquer conselho, a linha de texto tornou-se realidade… para o algoritmo. O LinkedIn aceitou o cargo e até enviou um email automático à rede de contactos de Duffy a anunciar a “promoção”. Durante algum tempo, ninguém reparou.

Vivemos numa era em que a identidade profissional é, muitas vezes, digital. O LinkedIn tornou-se a praça pública das carreiras: ali partilhamos mudanças de empresa, promoções, projetos, reflexões sobre liderança, vitórias profissionais. Para muitos, é o primeiro lugar onde alguém olha para perceber quem somos.

Mas há uma nuance que raramente discutimos: grande parte desta informação é autodeclarada. Escolhemos palavras, enquadramos experiências, simplificamos percursos. Contamos a nossa história da forma que queremos que seja percebida — e quase sempre funciona, porque existe um pacto de confiança implícito entre profissionais.

O episódio do falso CEO mostra o espaço cinzento entre realidade e narrativa. E para quem trabalha com comunicação, marketing ou branding, há uma lição essencial: um título impressionante não conta toda a história.

O que realmente constrói reputação — pessoal ou corporativa — é ser consistente: decisões, equipas lideradas, a forma como tratamos as pessoas, a confiança conquistada ao longo do tempo. No fim, cargos e slogans passam. O que permanece é a credibilidade e a história que conseguimos comunicar de forma autêntica.

Para empresas e marcas, a moral é clara: não basta um título pomposo ou um logo bonito. A perceção que clientes, parceiros e colaboradores constroem sobre a marca depende da coerência entre aquilo que prometemos e aquilo que entregamos.

Num mundo digital, onde qualquer um pode assumir títulos ou narrativas com um clique, a autenticidade é o maior capital de marketing.

O LinkedIn pode “mentir” num perfil, campanhas esquecem-se, títulos passam… mas a forma como uma marca é vivida e confiada… essa, sim, fica.

  • Joana Garoupa
  • Fundadora Garoupa Inc

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