Vasp ameaça deixar de distribuir jornais em oito distritos
Em causa está uma "situação financeira particularmente exigente, resultante da continuada quebra das vendas de imprensa e do aumento significativo dos custos operacionais", informou a empresa.
Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança podem ficar sem distribuição de jornais a partir de dia 2 de janeiro. A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã, título distribuído pela Vasp, empresa detida desde agosto do ano passado por Marco Galinha. De acordo com o título, a Vasp terá comunicado esta quinta-feira aos editores que deixará de garantir a distribuição diária de imprensa nestes oito distritos.
Em causa está uma “situação financeira particularmente exigente, resultante da continuada quebra das vendas de imprensa e do aumento significativo dos custos operacionais”, informou a empresa, que continua a aguardar os apoios do Estado à distribuição de jornais.
No comunicado oficial, enviado entretanto, a Vasp escreve que “nenhuma decisão definitiva foi ainda tomada estando esta avaliação em curso com o objetivo de encontrar alternativas que minimizem o impacto sobre editores, pontos de venda e populações“.
O apoio à distribuição de publicações periódicas para zonas de baixa densidade populacional, recorde-se, fazia parte do pacote de 30 medidas de apoio à comunicação social, apresentadas em outubro de 2024. Contactado pelo +M, o Governo ainda não comentou a decisão da Vasp. A distribuidora, igualmente contactada, também ainda não adiantou mais detalhes.
“Está na hora de a República interiorizar o perigo que corre: há um vasto território nacional e uma percentagem significativa de portugueses em risco de deixar de ter acesso a jornais e revistas, deixar de partilhar as notícias do país e deixar de ter acesso à língua portuguesa impressa“, comenta por seu turno Carlos Rodrigues, diretor do Correio da Manhã, também responsável editorial de todas as marcas da Medialivre.
“Trata-se de um risco elevado para a cultura, para a coesão nacional e para a qualidade da democracia, aumentando o abandono do português lido e escrito e incrementando o perigo das fake news propagadas digitalmente. Outros países, em que partes do território foram amputadas da cadeia de distribuição da imprensa, tornaram-se pasto explosivo para o fogo incendiário dos extremismos e da incultura. Este risco está bem próximo de nós”, acrescenta.
(notícia atualizada às 17h20)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Vasp ameaça deixar de distribuir jornais em oito distritos
{{ noCommentsLabel }}