Jovens querem mais transparência na comunicação política

+ M,

"A qualidade da comunicação política digital, como a clareza e a transparência das mensagens, é hoje mais determinante do que a frequência ou a visibilidade online", diz IPAM Porto.

Mais de dois terços dos jovens (67,2%) consideram a informação política digital essencial para o seu envolvimento cívico. No entanto, apenas 27,6% afirmam confiar na informação política que circula nas plataformas digitais, evidenciando um fosso crescente entre exposição e credibilidade. Estas são duas das conclusões de um estudo realizado pelo IPAM Porto junto deste target.

A qualidade da comunicação política digital, como a clareza e a transparência das mensagens, é hoje mais determinante para o envolvimento cívico do que a frequência ou a visibilidade online“, resume o IPAM Porto.

A perceção de desinformação é assinalável, com 58,5% dos inquiridos a reconhecer que as plataformas digitais contribuem para a disseminação de conteúdo pouco credível. Ainda assim, a análise do IPAM conclui que “os jovens demonstram uma maturidade crítica crescente, distinguindo cada vez mais entre estar exposto à comunicação política e sentir-se verdadeiramente envolvidos“.

Por outro lado, apenas 35% dos jovens consideram que os partidos comunicam os seus programas de forma clara. Contudo, destaca o IPAM Porto no comunicado antecipado ao +M, entre os jovens observa-se um aumento significativo da confiança na informação política, o que vem reforçar a ideia de que mensagens bem estruturadas têm impacto direto no envolvimento cívico.

Mais de metade dos jovens (51,1%) concorda que a comunicação política digital aumenta a transparência, e esta perceção estará “fortemente associada a níveis mais elevados de participação e interesse político”, aponta o IPAM, aludindo tanto ao estudo realizado no último ano como ao conduzido em 2024.

Apesar do olhar crítico sobre a comunicação digital, “os dados indicam uma forte predisposição para a participação eleitoral”, com 88,9% dos jovens inquiridos a afirmarem ter votado nas últimas eleições legislativas.

“Num contexto de aproximação das eleições presidenciais, o principal risco para candidatos e partidos não é a ausência nas redes sociais, mas uma presença pouco esclarecedora”, defende Catarina Domingos, professora do IPAM e uma das autoras do estudo.

“Estratégias centradas apenas no volume de conteúdos ou na multiplicação de plataformas tendem a ter efeitos limitados junto de um eleitorado jovem atento, informado e exigente”, prossegue, concluindo que para mobilizar este segmento da população “não basta estar online, é decisivo comunicar com clareza, consistência e transparência”.

O estudo que analisou a relação entre comunicação política digital e o envolvimento cívico dos jovens baseou-se em inquéritos aplicados a 323 indivíduos entre os 18 e os 24 anos. Os dados foram recolhidos em 2024 e novamente em 2025, em momentos próximos de atos eleitorais. As percentagens apresentadas referem-se às respostas de 2025 (323) e correspondem à soma das opções “concordo” e “concordo totalmente”, numa escala de 1 a 5.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Jovens querem mais transparência na comunicação política

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião