Saks Global declara falência
As lojas vão manter-se abertas para já, enquanto a empresa negoceia um pacote de financiamento.
A Saks Global pediu proteção contra credores na noite de terça-feira. Uma decisão já esperada depois das notícias da última semana e da saída do atual CEO, Richard Baker, após duas semanas à frente da empresa norte-americana.
O retalhista assegurou na madrugada de quarta-feira que as lojas se manterão abertas, para já, após a conclusão de um pacote de financiamento de 1,75 mil milhões de dólares e a nomeação de um novo CEO, segundo a Reuters.
O antigo CEO da Neiman Marcus, Geoffroy van Raemdonck, substituirá Richard Baker, o arquiteto da estratégia de aquisições que deixou a Saks Global sobrecarregada de dívida, de acordo com a Reuters. A empresa nomeou ainda os antigos executivos da Neiman Marcus Darcy Penick e Lana Todorovich como chief commercial officer e responsável global por parcerias de marca da Saks Global, respetivamente.
A Saks Global estimou que os seus ativos e passivos se situam entre mil milhões e 10 mil milhões de dólares, segundo documentos apresentados no Tribunal de Falências dos EUA, em Houston, no Texas.
O processo judicial destina-se a dar ao retalhista de luxo margem para negociar uma reestruturação da dívida com os credores ou vender a um novo proprietário, de forma a evitar a liquidação. Caso contrário, a empresa poderá ser forçada a encerrar.
O novo acordo de financiamento prevê uma injeção imediata de mil milhões de dólares em liquidez através de um empréstimo debtor-in-possession concedido por um grupo de investidores, informou a Saks Global.
Segundo a empresa, estarão disponíveis mais 240 milhões de dólares através de um empréstimo garantido por ativos, concedido pelos financiadores baseados em ativos do grupo.
O retalhista de luxo terá ainda acesso a 500 milhões de dólares de financiamento adicional do grupo de investidores depois de sair com sucesso da proteção contra credores, o que deverá acontecer ainda este ano, acrescentou a empresa.
Várias marcas de luxo figuram entre os credores não garantidos, lideradas pela Chanel e pelo grupo Kering — proprietário da Gucci — com cerca de 136 milhões e 60 milhões de dólares, respetivamente, de acordo com os documentos judiciais, citados pela Reuters. O maior conglomerado mundial de luxo, a LVMH, surge listado como credor não garantido no montante de 26 milhões de dólares. No total, a Saks Global estimou existir entre 10.001 e 25.000 credores.

A empresa entrou em dificuldades após a pandemia de covid-19, à medida que a concorrência das plataformas online aumentou e as marcas passaram a vender com maior frequência através das suas próprias lojas.
A primeira grande loja Saks na 5.ª Avenida abriu portas em 1924, como planearam Horace Saks and Bernard Gimbel, que detinham várias lojas de retalho pela cidade de Nova Iorque e desejam reunir num só lugar as últimas tendências de moda e lifestyle.
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