Jornalistas parlamentares preocupados com segurança na AR

Lusa,

Condicionamento a jornalista nos corredores do parlamento será discutido em conferência de líderes.

A Associação de Jornalistas Parlamentares (AJPAR) manifestou preocupação face à intervenção dos serviços de segurança da Assembleia da República junto de um jornalista da Sábado, no decorrer do seu trabalho, para o qual estava devidamente credenciado.

A AJPAR “manifesta a preocupação face ao episódio da intervenção dos serviços de segurança da Assembleia da República junto do jornalista Tomás Guerreiro, da revista Sábado, quando este se encontrava em plenas funções, devidamente credenciado e em local autorizado“, refere um comunicado hoje divulgado.

“No caso em apreço, o jornalista estava identificado com a credencial, sendo incompreensíveis as razões que terão levado à intervenção dos serviços de segurança, e ainda mais inaceitáveis as considerações sobre a necessidade de “autorização” para realizar trabalho jornalístico“, considerou a AJPAR.

A Sábado noticiou na terça-feira que um jornalista da revista foi abordado no passado dia 20 por agentes da GNR, do corpo de segurança da Assembleia da República, e perguntaram-lhe por que questionava deputados, chamando em seguida um superior que “proibiu a continuação da reportagem sem autorização especial“.

Segundo a Sábado, o jornalista questionava, em local autorizado, deputados da bancada do PSD sobre em quem iriam votar na segunda volta das presidenciais, face à posição assumida pelo presidente do partido e primeiro-ministro, Luís Montenegro, de não dar indicação de voto.

De acordo com a descrição feita na edição online da revista, divulgada na terça-feira, um agente “informou o jornalista da Sábado que não podia continuar a fazer perguntas a deputados”.

No comunicado, a AJPAR refere que pediu esclarecimentos junto dos gabinetes do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e da Secretaria-geral do parlamento.

A AJPAR recordou que “desde os anos 90 do século passado, quando no caso conhecido como a “Guerra dos Corredores” existiu uma tentativa de limitar o acesso e permanência dos jornalistas nos corredores dos grupos parlamentares, ficou estabelecido que os jornalistas podem circular nesses espaços, o que tem acontecido com toda a tranquilidade e respeito pelas regras de boa convivência“.

Condicionamento a jornalista nos corredores do parlamento será discutido em conferência de líderes

Entretanto, a IL, PSD, PS e Livre condenaram a atuação dos serviços de segurança da Assembleia da República junto de um jornalista em serviço no parlamento e o assunto será discutido em conferência de líderes parlamentares.

O assunto foi levantado pelo líder da bancada da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, que, antes do início dos trabalhos em plenário desta tarde, interpelou a mesa para defender a liberdade de imprensa na Assembleia da República e pediu que o assunto a envolver um jornalista da Sábado fosse levado a discussão em conferência de líderes, considerando que a “liberdade de imprensa não pode nunca estar em causa”.

Mário Amorim Lopes frisou que, embora se possa discordar ou não gostar de determinadas notícias, a “comunicação social, numa democracia liberal e livre, é o quarto poder” e não pode ser impedida de trabalhar na “casa de democracia”.

Ao apelo juntou-se o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, que também pediu à conferência de líderes para se debruçar sobre o assunto, defendendo que “a liberdade dos jornalistas parlamentares trabalharem no parlamento é irrenunciável” e garantindo que os socialistas nunca discutirão regras que ponham em causa a liberdade de imprensa na Assembleia da República.

Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, secundou as posições do PS e da IL, mas declarou que a notícia da Sábado imputa erradamente ao grupo parlamentar social-democrata uma queixa contra o jornalista da Sábado, que terá levado à intervenção dos seguranças.

Já Isabel Mendes Lopes, do Livre, considerou importante que o assunto seja debatido não apenas na conferência de líderes, mas também em plenário, para que o “país saiba que a Assembleia da República tem consciência da gravidade do que se passou”.

Após a intervenção dos deputados, o presidente da AR, José Pedro Aguiar-Branco, encerrou o assunto afirmando a sua defesa da liberdade de expressão e de imprensa, sublinhando que, “se alguma vez foi vítima de alguma coisa”, foi por uma defesa “excessiva e não restritiva” da liberdade de expressão.

“Como é óbvio, acompanho que é um tema que deverá ser tratado na conferência de líderes, razão pela qual eu não também levantei esse problema aqui no plenário e, com certeza, teremos a oportunidade de fazer um debate perfeitamente livre também sobre este tema. Será levado à conferência de líderes, como é óbvio”, rematou, confirmando os apelos deixados pelos parlamentares.

Citada pela Sábado, Anabela Cabral Ferreira, atual secretária-geral da Assembleia da República, respondeu que o parlamento “é um espaço com regras próprias de circulação e permanência, destinadas a garantir a segurança e o normal funcionamento dos trabalhos parlamentares” e que “existem espaços específicos para o trabalho dos jornalistas”.

“Na sequência de uma comunicação interna sobre um comportamento considerado suspeito, os serviços de segurança atuaram no cumprimento das suas competências legais e regulamentares. Embora se reconheça que a abordagem possa ter sido percecionada como inibidora, a atuação visou exclusivamente a salvaguarda das pessoas, dos serviços e do património“, disse ainda à revista Sábado a secretária-geral da AR.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Jornalistas parlamentares preocupados com segurança na AR

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião