YouTube impede medição independente das suas audiências no Reino Unido
A Google, detentora do YouTube, enviou notificações extrajudiciais ('cease and desist' letters) para a Barb e a Kantar Media - o equivalente à CAEM e à Gfk no mercado britânico.
A Google impediu a medição independente das audiências do YouTube no Reino Unido, após enviar notificações extrajudiciais (‘cease and desist’ letters) à Barb — empresa de publicações de audiências televisivas, equivalente à portuguesa Comissão de Análise de Estudos de Meios (CAEM) — e à Kantar Media — empresa responsável pela medição, tal como a Gfk em Portugal.
A monitorização, anunciada em fevereiro de 2025 e que teve início no terceiro trimestre desse ano, permitiu que as visualizações em televisões de 200 canais de YouTube fossem analisadas, juntamente com a das emissoras como a BBC, Sky, ITV e Channel 4.
De acordo com o Financial Times, que avançou com a notícia, a gigante tecnológica citou uma quebra dos termos de serviço como justificação. Apesar de fontes próximas do litígio, ouvidas pelo jornal britânico, afirmarem que a Google não considerava que o serviço representava fielmente a audiência da plataforma, a notificação judicial prende-se com a violação dos termos de serviço relativos à utilização de conteúdos dos criadores, relacionado com o serviço de reconhecimento por áudio — utilizado pela Kantar.
Durante a semana de 14 a 20 de julho de 2025, só nos televisores, a Peppa Pig era o maior canal do YouTube em audiência. No entanto, este canal atraiu apenas 758 mil espetadores na semana em análise — o equivalente a 1,2% de todas as pessoas com mais de quatro anos que assistiram a pelo menos três minutos consecutivos de televisão, explica o FT. MrBeast, outro criador de sucesso, registou apenas 319 mil espetadores durante o período analisado.
A Kantar Media confirmou que o “serviço de medição está pausado”, mas recusou comentar mais sobre “discussões confidenciais com clientes”. Já a Barb não quis comentar.
O YouTube afirmou ter um “longo historial de facultar acesso a terceiros para fins de investigação e reporte, sendo que todos eles devem respeitar os termos de serviço e as políticas necessárias ao utilizar a nossa API”.
A plataforma acrescentou ainda que, sempre que as ações na plataforma não cumprem os seus termos, o YouTube “tem de agir de forma célere e consistente para proteger o seu ecossistema, incluindo os direitos dos criadores”.
O YouTube já foi criticado pelo setor no mercado britânico. “Parece bizarro que o YouTube tenha investido tanto esforço a tentar convencer os anunciantes de que é televisão — para beneficiar da reputação que daí advém — mas, no momento em que surge uma escrutínio semelhante ao da TV, recorra à via judicial para o evitar“, afirmou Lindsey Clay, presidente executiva da Thinkbox, citado pelo The Guardian. A Thinkbox é entidade de marketing da televisão comercial detida pela ITV, Sky, Channel 4 e UKTV.
Por sua vez, Simon Michaelides, diretor geral do ISBA — que representa os anunciantes britânicos — declara ser “dececionante que este serviço tenha sido interrompido”. “A medição cross-media é intrinsecamente complexa e acarreta desafios que reconhecemos. No entanto, esperaríamos, em prol dos anunciantes, que fosse possível encontrar uma solução“, acrescentou.
Os dados da Barb em dezembro mostravam que o número de indivíduos que via o YouTube nas televisões, smartphones e tablets ultrapassou o combinado dos canais da BBC pela primeira vez. O serviço da Google ultrapassou a ITV no ano passado, tornando-se no segundo serviço de media mais visto no Reino Unido, apenas atrás da BBC.
A audiência do YouTube no Reino Unido é também medida por empresas como a Ipsos/Iris. As métricas publicitárias são analisadas por consultoras como a Nielsen, a Origin (da ISBA) e a AudienceProject.
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