Drones da Beyond Vision verificam falhas nos postes de eletricidade e acompanham cheias
Empresa portuguesa tem cinco veículos autónomos a sobrevoar as zonas mais afetadas pelas tempestades e a enviar ou transmitir imagens em tempo real às autarquias, E-Redes e Proteção Civil.
A empresa portuguesa Beyond Vision, que desenvolve drones de emergência, está a apoiar no diagnóstico das consequências das tempestades Kristin e Leonardo. A tecnologia fabricada em Alverca está a ser utilizada para dar informação sobre falhas energéticas e evolução das cheias à Proteção Civil, E-Redes, EDP e outras entidades, como câmaras municipais.
A liderar as operações no terreno está Carlos Dionísio, consultor da Beyond Vision com carreira militar. “O objetivo é verificar as situações da regra elétrica quer de baixa, média ou alta tensão para obter uma consciência situacional”, diz ao ECO.
A Beyond Vision conta com cinco grupos no terreno e cinco drones a sobrevoar as zonas mais afetadas pela depressão Kristin e pelos efeitos da tempestade Leonardo de forma a fornecer dados (inclusive em tempo real) às autoridades. Nalgumas situações, a empresa recolhe ou transmite as imagens e faz uma pré-análise, mas a maior parte das vezes a análise final está a cargo do destinatário.
“Para se tomar decisões e se fazer alguma coisa é preciso saber o que se está a passar. Nestes casos extremos, tem de se estabelecer prioridades de intervenção, de apoio às populações e garantia do funcionamento do essencial (água, energia e comunicações)”, explica Carlos Dionísio.
Um dos drones que se encontra a detetar anomalias nas infraestruturas e a verificar a subida dos caudais dos rios estava prestes a ‘voar’ para as mãos de um cliente na cidade de Riade, na Arábia Saudita, e acabou por ter de ficar em Portugal. “À última hora, quase que o fomos buscar ao aeroporto para estar a operar. Somos uma empresa privada, com pilotos e quadros fora do país e tínhamos as nossas operações normais a decorrer”, conta o consultor.
Vivi outras situações, como a crise de 20 de fevereiro [de 2010] na Madeira, os incêndios e as cheias no Porto e penso que esta será, provavelmente, uma das maiores das últimas décadas.
A Beyond Vision começou a responder aos pedidos das energéticas a partir da passada sexta-feira e, desde então, tanto Carlos Dionísio como as equipas que coordena têm estado a trabalhar na região Centro, mais precisamente em Pombal, no Entroncamento, na Atalaia, na Batalha, Constância ou Sertã.
No entanto, nem sempre é fácil colocar os veículos autónomos perto dos rios Tejo e Nabão devido à chuva e às rajadas de vento fortes. “Não somos uma corporação nem uma instituição que esteja preparada para este tipo de reação rápida ou imediata. Vamos muito cedo para as posições, reunimos pessoas, por várias vezes, já chegámos lá e não conseguimos operar os nossos meios”, revela Carlos Dionísio ex-oficial das Forças Armadas e da NATO.
“Dadas as condições, ao manter-se a chuva e o vento, torna-se muito difícil. Em particular, quando estamos a falar de meios aéreos com mais limitações no voo. Acabei de passar pela A13 de Coimbra e está um vento muitíssimo forte”, lamenta Carlos Dionísio, acrescentando que algum lapso de raciocínio se deve às poucas horas de sono desde o fim de semana.
“Voamos com os drones e quando vemos que está uma árvore ou uma linha que partiu e está criar disrupção na cadeia de transmissão e, mais do que enviar o filme, imediatamente reportamos à E-Redes e EDP. Já encontrámos vias obstruídas por árvores e georreferenciámos e enviámos”, exemplifica o porta-voz da fabricante de drones.
O CEO da Beyond Vision, Dário Pedro, adiantou ao ECO que solicitou auxílio à Marinha Portuguesa para conseguir dar resposta a mais pedidos.
No início da semana, a concorrente Tekever, com sede nas Caldas da Rainha, informou que estava a fazer o mapeamento dos danos causado pela tempestade em Leiria, através de drones e uma equipa de 100 voluntários que se disponibilizaram para apoiar o concelho mais impactado pela depressão Kristin.
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