Custo da dívida a sete anos quase duplica… oito meses depois

Portugal tem vindo a pagar mais para se financiar. E no primeiro leilão de longo prazo do ano, a tendência manteve-se. A taxa obtida no prazo a sete anos foi quase o dobro da registada há oito meses.

No financiamento de curto prazo, Portugal até ganha dinheiro com emissões feitas a juros negativos. Mas nas operações de longo prazo os custos estão cada vez mais elevados. Depois da taxa de mais de 4% por títulos a dez anos, o país pagou agora um juro de 3,668% por dívida a sete anos, praticamente o dobro do que tinha aceitado pagar há apenas oito meses.

O IGCP voltou ao mercado para o primeiro leilão de dívida do ano — a emissão a dez anos foi feita com recurso a um sindicato bancário. Colocou 1.180 milhões de euros, abaixo do máximo previsto de 1.250 milhões, com a maioria a ser emitida a cinco anos. A sete anos colocou 550 milhões de euros perante uma taxa de 3,668%.

Registou-se um agravamento expressivo face à última emissão comparável, realizada em novembro. Nessa altura, o IGCP aceitou pagar 2,817%, mas antes disso, em julho, a taxa foi de 2,355%. Um mês antes, neste mesmo prazo, o juro foi substancialmente inferior: 1,843%, ou seja, agora pagou praticamente o dobro.

Taxa na dívida a sete anos dispara

Fonte: IGCP

No caso dos títulos a cinco anos, a taxa também subiu. O IGCP colocou 630 milhões de euros no prazo mais curto, a cinco anos, em que a taxa ascendeu a 2,753%, de acordo com os dados citados pela Bloomberg — este juro compara com os 2,112% registados na operação idêntica realizada em novembro.

As taxas “ficaram em linha com o que está a ser feito no mercado secundário. Evidentemente subiram face às últimas emissões comparáveis. Tivemos uma procura muito razoável para um montante emitido que também ficou dentro das expectativas. As operações correram bem”, comenta Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

Tanto fruto dos receios dos investidores em torno do fim do programa de compras de dívida do Banco Central Europeu, como a indefinição política na Europa, mas também por problemas específicos de Portugal, os juros têm subido, tocando máximos de três anos. Os problemas na banca têm sido apontados pelos analistas como riscos para o país.

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