Miguel Poiares Maduro, o professor da era global

  • Helena Garrido
  • 10 Abril 2017

A sua carreira académica já o levou um pouco para todo o lado, de Tóquio, a Yale, de Bruges a Telavive, passando obviamente por Lisboa. Foi ministro-adjunto de Pedro Passos Coelho.

Luís Miguel Poiares Pessoa Maduro, 50 anos completados em janeiro, é o exemplo do cidadão global. A sua base é hoje de novo Florença, no Instituto Universitário Europeu. Mas desde que se licenciou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1990, a sua carreira académica já o levou um pouco para todo o lado de Tóquio, a Yale, de Bruges a Telavive, passando obviamente por Lisboa. Foi o mais novo advogado-geral do Tribunal Europeu de Justiça, no Luxemburgo.

Nascido em Coimbra, Miguel Poiares Maduro aparece no espaço mediático massificado quando é escolhido por Pedro Passos Coelho para o cargo de ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, a substituir Miguel Relvas em abril de 2013. Dificilmente se poderiam encontrar personalidades tão diferentes.

Veio para o Governo de Florença, Itália, e para lá regressou. O principal projeto que está a desenvolver neste momento no Instituto Universitário Europeu é a criação de “uma escola de governação para formar as elites da administração pública e política a nível transnacional”, conforme disse ao ECO na entrevista que concedeu em abril.

Doutorado em Direito pelo Instituto Universitário Europeu, o seu curriculum é feito de investigação, livros e textos sobre direito europeu e internacional. Um das cadeiras que lecionou foi exatamente direito europeu. Assim como tem uma carreira como professor convidado ou de visita em várias universidades do mundo. Em 2013, quando foi convidado para ministro, além de Florença dava também aulas na universidade de Direito de Yale.

Como ministro de Pedro Passos Coelho começou por criar muitas expectativas mas viu-se envolvido na polémica dos encontros diários com jornalistas em “on e off”, linguagem da comunicação social que identifica o que se pode citar identificado quem transmite a informação (on), da informação que apenas pode ser utilizada como contexto sem identificação da fonte. Esses encontros tiveram curta duração.

Poiares Maduro é um académico e pensa como um académico como se pode perceber pelas entrevistas que dá e que deu ao ECO. O contexto e o raciocínio antes de chegar a uma declaração estão enraizados no seu discurso, sofisticado e analítico. Não é por acaso que um dos piores defeitos que identifica em Portugal é a superficialidade e a falta de método.

Mas é um académico que nada tem a ver com o que é a imagem tradicional. Gosta de cozinhar e é conhecido em Lisboa também por isso. Conduz um Jaguar cinzento que manteve distanciado quando era ministro. Adora cinema e música.

Ser ministro não foi o de mais importante se passou na sua vida. Como surpresa positiva escolhe ter sido advogado-geral do Tribunal Europeu de Justiça. O regresso à política não está fora dos seus horizontes. “Daqui a alguns anos”, diz, dependendo das circunstâncias pessoais. Para si “a política tem momentos muito longos de frustração e períodos ocasionais de grande euforia, quando conseguimos fazer alguma coisa. Mas esses momentos de grande euforia compensam os outros.”

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