Oeiras e Sintra no top das importações. A culpa é dos carros

Os dois concelhos estão em posições de topo no ranking de importações nacional, logo a seguir a Lisboa. É a partir destes concelhos que algumas das maiores marcas de automóveis conduzem o seu negócio.

Portugal está a exportar mais, mas continua a ir buscar mais bens ao estrangeiro do que aqueles que envia para fora do país. Em 2016, as importações nacionais de bens superaram em cerca de 11,2 mil milhões de euros o valor das importações. E nesta matéria, fazendo um zoom no mapa do país, constata-se que há zonas que são verdadeiras campeãs das importações. Os concelhos de Oeiras e de Sintra são os melhores exemplos disso mesmo.

Apesar de estarem bastante distantes dos valores de Lisboa, são os concelhos que se lhe seguem no ranking nacional de importações. No ano passado, o valor total dos bens que entraram na capital do país ascendeu a um total de 14.368 milhões de euros, o que corresponde a quase um quarto (23,5%) face aos 61.242 milhões de euros importados a nível nacional.

O elevado peso das importações em Lisboa, face ao total nacional, é fácil de explicar tendo em conta a concentração da atividade económica e comércio na capital. Mas seguindo ao longo da área metropolitana de Lisboa rumo ao oceano Atlântico, ao passar por Oeiras encontra-se o segundo concelho mais importador do país. As importações de bens do município liderado por Paulo Vistas ascenderam a 6.201 milhões de euros no ano passado. Um pouco mais à frente, sobressai Sintra, com o concelho encabeçado por Basílio Horta a importar um total de quase 2.660 milhões de euros em bens, o que o coloca em terceira posição no ranking importador.

Ranking dos concelhos com mais importações

Fonte: INE | Dados em milhões de euros

Estes valores fazem com que, conjuntamente, os dois concelhos sejam responsáveis por 14,5% do total das importações de bens a nível nacional. Mas o que faz com esses concelhos apresentem níveis de importação tão elevados? Olhando os números do INE constata-se que o grosso das importações de bens nessas regiões diz respeito a veículos automóveis, outro tipo de veículos, bem como respetivas partes e acessórios.

No caso de Oeiras, a importação deste tipo de bens totalizou mais de 1.351 de euros no ano passado. Ou seja, perto de 22% do total de importações do concelho. No caso de Sintra a realidade é bastante próxima. O concelho importou perto de 628 milhões de euros em veículos automóveis e outros produtos do setor, o que correspondeu a quase 24% do total de bens que importou em 2016.

De salientar que tanto Oeiras como Sintra têm entre o seu tecido empresarial uma presença muito forte do setor de importação de automóveis. Por exemplo, em Oeiras é onde a Renault concentra a sua presença em Portugal. Mais em concreto no Lagoas Park. A marca francesa é a líder em termos de vendas de carros ligeiros em Portugal. Só no ano passado, de acordo com dados da associação Automóvel de Portugal (ACAP), a Renault vendeu em Portugal mais de 33 mil automóveis ligeiros com a sua marca.

Indo um pouco mais à frente até Sintra, é onde está a Mercedes Benz, que também figura nas posições de topo dos carros ligeiros mais comercializados em Portugal. Só no ano passado, a marca alemã vendeu quase 17 mil unidades de veículos ligeiros em Portugal.

Mas há outros setores de peso no campo das importações destes dois concelhos da Área Metropolitana de Lisboa e que também ajudam a alimentar e são importantes para a respetiva dinâmica económica. Para além do automóvel, Oeiras também concentra um elevado número de grandes farmacêuticas. Entre elas incluem-se a GlaxoSmithKline, a Merk, a Bayer ou a Pfizer. As importações de produtos farmacêuticos no concelho de Oeiras representam um valor bastante próximo do verificado nos veículos automóveis no ano passado: 1.272 milhões de euros.

Indo um pouco mais à frente até Sintra, o tabaco é outro dos setores com mais peso na dinâmica de importações do concelho. No ano passado, foi o terceiro setor mais relevante neste âmbito em Sintra, com um total de 145 milhões de euros. De salientar que o concelho alberga a Tabaqueira, que detém quase o monopólio das importações de tabaco em Portugal e é também uma das maiores empresas do país.

Automóvel pesa para uns mas puxa por outros

Voltando ao automóvel, este também é o principal responsável pelo facto de Palmela também figurar nas posições de topo do ranking nacional de importação de bens. O concelho da margem sul do Tejo é o quarto maior importador de bens, com um total de 1.670 milhões de euros. A maior fatia deste valor diz respeito a importação de veículos automóveis e outros produtos ligados ao setor, que ascendeu no ano passado a perto de 660 milhões de euros. Ou seja, 40% do total de importações da região.

Grande parte da responsabilidade por esses números está na fábrica da Autoeuropa que lá está instalada, e que importa muitos produtos para alimentar a sua atividade.

Saldo comercial de bens dos concelhos mais importadores

Fonte: INE | Dados em milhões de euros

Mas se alimenta as importações também faz o mesmo pelas exportações, já que os carros fabricados na Autoeuropa têm como destino o estrangeiro. No ano passado, a fábrica do grupo Volkswagen produziu um total de 85.126 veículos automóveis, sendo que o grosso destes foram exportados: um total de 53.295 veículos.

Estes valores ajudam a que Palmela, apesar de ser um dos concelhos do país com maior valor de importações, seja simultaneamente, um dos poucos (entre os dez concelhos mais importadores) que apresenta um excedente comercial de bens. No ano passado, esse excedente fixou-se em 534 milhões de euros, o que permite perceber a relevância da fábrica da Autoeuropa para a região e do país.

Uma realidade que não acontece em Oeiras ou em Sintra, mas também em Lisboa. Qualquer destes três municípios importa mais bens do que aqueles que exporta.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Oeiras e Sintra no top das importações. A culpa é dos carros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião