Correia de Campos: “Mudança no PSD dá um certo conforto para pactos”

  • ECO
  • 17 Outubro 2017

Correia de Campos prevê mais margem para o entendimento entre o Governo e a oposição. "Provavelmente haverá outras cedências à direita", diz.

O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Correia de Campos, acredita que a mudança na liderança do PSD trará “um certo conforto para pactos”. Acredita em mais cedências à direita mas não critica as cedências à esquerda.

“Acho que é possível um entendimento com todos os candidatos. As declarações de ambos são comuns numa aproximação ao centro, isso significa implicitamente que há uma vontade de um certo conforto para pactos”, diz o presidente do CES em entrevista ao Negócios (acesso pago). Sem nomear, observa que ambos os candidatos à liderança do PSD, Rui Rio e Santana Lopes, já demonstraram antes “vontade de diálogo e colaboração” — um, por ter “quase uma relação de amizade” com o primeiro-ministro”, outro, por ser alto-dirigente de uma administração do Estado.

"Acho que é possível um entendimento com todos os candidatos. As declarações de ambos são comuns numa aproximação ao centro, isso significa implicitamente que há uma vontade de um certo conforto para pactos”

Correia de Campos

presidente do Conselho Económico e Social

Para além da vontade de diálogo dos candidatos social-democratas, Correia de Campos acredita que o Governo também terá em atenção a vontade do partido da oposição. “Provavelmente haverá outras cedências à direita. Não se pode dizer que sejam cedências num só sentido“, diz.

Na opinião do presidente do CES, contudo, o papel do PSD como oposição tem deixado algo a desejar. “Eu não critiquei a oposição nestes dois últimos anos por não ser oposição, critiquei-a por não ter forçado o Governo a pensar estrategicamente“.

"Eu não critiquei a oposição nestes dois últimos anos por não ser oposição, critiquei-a por não ter forçado o Governo a pensar estrategicamente.”

Correia de Campos

presidente do Conselho Económico e Social

 

Já em relação aos parceiros do Governo, nomeadamente, o PCP, “não conhecemos o jogo negocial nem as contrapartidas“. Entende que o aumento do salário mínimo para 600 euros em 2018 “não terá grande viabilidade do ponto de vista político nas negociações” pelo que atuará sobretudo como uma “arma negocial”.

Este não é, portanto, um OE do BE e do PCP, diz Correia de Campos. “O Governo comprometeu-se a repor uma situação anterior e parece-me indiscutível que isso devia ter sido feito, defende. O “caminho de recuperação de rendimentos era absolutamente essencial”.

A crítica recai sobre as reformas da administração pública, que eram “importantes” e nas quais o Governo deveria “ter pensado um pouco mais”, também estimulado pela oposição. Agora, o Governo “vai a tempo” de fazer alterações mais escalonadas, nomeadamente na área da saúde, mas “com mais custo”, alerta o presidente do CES. Algo “como o Governo está a fazer muito bem neste aumento de pensões”, assinala.

Quanto às alterações previstas no Orçamento do Estado de 2018, Correia de Campos comenta: “É uma ilusão pensar-se que as regras fiscais têm de ser sempre absolutamente estáveis e imutáveis”. À luz da recente evolução do país parece impossível “fixismo ou rigidez fiscal”, defende.

Neste momento as perspetivas exigem mais rigor. E exigem um pouco mais cabeça fria.

Correia de Campos

presidente do Conselho Económico e Social

A subida da taxa de IRC aparece a Correia de Campos como um mal necessário: “Não me parece que isso seja muito saudável, mas até admito que isso faça parte to toma lá dá cá, da pequena negociação e do compromisso que é necessário estabelecer”.

Face a todas as alterações políticas e económicas, “Neste momento as perspetivas exigem mais rigor. E exigem um pouco mais cabeça fria” porque talvez não em 2018 mas pelo menos em 2019, Correia de Campos prevê um arrefecimento no crescimento da economia. “Neste momento é necessário, penso eu, a meio do ciclo político, ter alguma cabeça fria e saber o que se deve fazer realmente e olhar um pouco mais para o futuro. Porque em breve, acredita, “as exigências vão aumentar”.

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