Criação de emprego em alojamento e restauração mais que triplicou

  • Margarida Peixoto
  • 8 Novembro 2017

As atividades de alojamento e restauração deram um forte contributo para a criação de emprego no terceiro trimestre deste ano. Empregam 345,9 mil pessoas.

A criação de emprego nas atividades do alojamento e restauração mais do que triplicou em 2017, quando comparado com o ano passado. Os dados foram revelados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e mostram o forte contributo deste setor da economia para a melhoria do mercado de trabalho.

No terceiro trimestre de 2017, a taxa de desemprego caiu novamente, fixando-se em 8,5%. Este é o valor mais baixo desde o final de 2008 e resulta de uma melhoria generalizada das condições do mercado de trabalho. Os dados do INE mostram que a população ativa aumentou, o emprego líquido subiu e o número total de desempregados caiu. Até o número de pessoas subaproveitadas pelo mercado de trabalho — isto é, os desempregados somados aos trabalhadores a tempo parcial que gostariam de ter trabalhar mais horas e a uma parte dos inativos — caiu.

E onde foi criado o emprego? Os números mostram o emprego líquido a crescer na Indústria e nos Serviços, ao mesmo tempo que cai na agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca. Numa análise mais fina, verifica-se que dentro dos serviços há um contributo muito relevante das atividades de alojamento e restauração: mais 52,9 mil postos de trabalho do que no ano anterior, um crescimento de 18,1%.

Esta criação de emprego é superior, mesmo em termos absolutos, aos postos de trabalho criados em toda a indústria (que inclui construção, energia e água). Neste momento, só o alojamento e a restauração já dão emprego a 345,9 mil pessoas — quase tantas como as que trabalham no setor da educação e mais do que as que são empregadas na Administração Pública, Defesa e Segurança Social. O próximo gráfico mostra a distribuição do emprego nas atividades dos serviços.

Onde está a ser criado o emprego dos serviços

Fonte: INE

Esta quarta-feira, na sequência dos dados do INE, a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) reconheceu que o emprego no setor atingiu um “novo máximo histórico de empregabilidade”, argumentando que só na restauração foram criados 44.600 postos de trabalho.

Foi um trimestre de exceção?

O comportamento extraordinário do setor do Turismo já não é uma novidade de 2017 e este será um dos fatores a ajudar de forma determinante à criação de emprego no alojamento e restauração — por exemplo, por dia, só no verão os turistas gastaram 17 milhões de euros.

Olhando para uma série da criação de emprego no setor da restauração e alojamento desde 2013 — quando a economia começou a criar postos de trabalho em termos líquidos — verifica-se que desde os primeiros três meses de 2016 que esta atividade cria empregos consecutivamente. Os dados mostram ainda que o número médio dos empregos criados mais do que triplicou nos três trimestres de 2017 para os quais há dados, quando comparados com o mesmo período de 2016.

O próximo gráfico mostra a criação média de emprego nos primeiros três trimestres de 2016, comparando com os de 2017.

Como evolui a criação de emprego

Fonte: INE

Perante os números, importaria perceber se o tipo de emprego criado por este segmento de atividade é a prazo, ou se é sem termo. Os dados disponibilizados pelo INE permitem apenas avaliar a evolução do peso dos contratos de trabalho com termo no setor dos Serviços, não desagregando por atividades. Mas como as atividades do alojamento e restauração são claramente as que se destacam em termos de volume de criação de emprego nos serviços (sozinhas valem quase metade dos empregos criados), vale a pena olhar para o setor como um todo.

Os números mostram que o peso dos contratos a prazo no total de emprego por conta de outrem nestas atividades se tem mantido praticamente constante desde o início de 2016, em torno dos 18%. Recuando a 2013 verifica-se uma ligeira tendência de aumento (o peso rondava os 17%), mas que pode ser explicada pela redução dos contratos a prazo durante o período mais agudo da crise económica e de destruição de postos de trabalho que lhe antecedeu.

(Artigo atualizado às 18h30)

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