Sindicato: Imposições na Autoeuropa prejudicam “paz social” na empresa

  • Marta Santos Silva
  • 10 Janeiro 2018

Os representantes sindicais consideram "inqualificáveis" as declarações de que a Autoeuropa se poderia mudar para Marrocos, afirmando que são uma forma de pressionar os trabalhadores.

Os representantes sindicais ligados à Autoeuropa, do Site-Sul e da Fiequimetal, anunciaram esta quarta-feira numa conferência de imprensa que as negociações com a administração e a Comissão de Trabalhadores continuam, acreditando que “existem todas as condições para chegar a um acordo” antes de fevereiro, quando o novo horário imposto pela empresa deveria entrar em vigor.

Rogério Silva, coordenador da Fiequimetal, disse aos jornalistas em declarações transmitidas pela RTP 3 que as negociações, que incluíram uma reunião ontem de manhã e vão continuar amanhã, têm estado a decorrer, embora nem sempre da melhor forma.

A administração da empresa disponibilizou-se para discutir ao mesmo tempo os horários de transição, entre fevereiro e as férias do verão, e o horário que se seguirá a partir de setembro. Uma opção que os sindicatos consideram “má-fé” já que prefeririam discutir primeiro o horário de transição devido à limitação de tempo até ao princípio de fevereiro. “Entendemos que é uma postura que não contribui para a paz social na empresa”, explicou Rogério Silva, acrescentando que “o que é necessário é encontrar urgentemente uma solução que resolva o impasse”.

O sindicalista Eduardo Florindo, do Site-Sul, explicou aos jornalistas os componentes das principais exigências dos sindicatos, numa proposta que foi apresentada tanto à administração da empresa como à Comissão de Trabalhadores, “para assim contribuir para um acordo que deve ser negociado pela Comissão de Trabalhadores”.

Por um lado, a implementação do horário de transição deve ser feita em regime voluntário, afirmou Eduardo Florindo, e os sábados trabalhados devem ser remunerados como trabalho extraordinário de acordo com as condições atuais. “A empresa tem de suportar, de acordo com a lei, qualquer despesa de acréscimo que os trabalhadores possam vir a ter, por exemplo com os seus filhos, que tenham de deixar ao sábado num infantário ou numa ama”, continuou. “O aumento de salário deste ano deve ser significativo”, apelou ainda, pedindo também que as pausas no trabalho sejam aumentadas para 15 minutos, já que duas das pausas diárias atualmente são de sete minutos, “de forma a prevenir que surjam mais doenças profissionais”.

O sindicalista aproveitou ainda para criticar as declarações “de alguns comentadores da nossa praça pública” que referem que as negociações e o impasse na Autoeuropa podem fazer com que a Volkswagen leve a fábrica para Marrocos, como disse esta semana o ex-ministro da Indústria, Mira Amaral, que disse haver “forte risco” de tal acontecer. Essas declarações, disse Eduardo Florindo, servem para pressionar os trabalhadores a abdicar dos seus direitos.

O impasse na Autoeuropa dura já desde agosto, quando foi rejeitado o primeiro pré-acordo entre a Comissão de Trabalhadores de então e a administração da empresa. A Autoeuropa, da Volkswagen, pretende alargar os horários de trabalho na fábrica de Palmela para cumprir as metas de fabrico do novo modelo T-Roc, com a intenção de atingir a laboração contínua incluindo o trabalho aos fins de semana. Os trabalhadores demonstraram-se contra o primeiro e o segundo acordos atingidos entre a administração e a Comissão de Trabalhadores, e a Autoeuropa acabou por decidir impor, a partir de fevereiro, um horário transitório que não foi acordado. As negociações, que continuam amanhã, servem para procurar encontrar um consenso sobre o que vai acontecer na Autoeuropa em 2018.

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