Aumentos na Função Pública? Mário Centeno diz que salários já estão a crescer

  • Margarida Peixoto
  • 31 Janeiro 2018

O tom da discussão foi marcado pelo socialista João Galamba, que já avisou que dificilmente haverá aumentos salariais em 2019. Mas o Bloco de Esquerda confrontou o ministro das Finanças.

A discussão tinha sido lançada pelo deputado socialista João Galamba: dificilmente haverá margem para aumentos salariais para a função pública em 2019. Mariana Mortágua, deputada bloquista, assumiu esta quarta-feira a surpresa pelo debate ter sido aberto “sem discussão prévia” mas não só partiu para a frente de batalha, como ainda alargou o tema aos salários do setor privado — também têm de crescer. O que respondeu o ministro das Finanças? Centeno usou a matemática para demonstrar que os salários já estão a crescer.

“O PS resolveu lançar o debate sobre os salários da função pública sem qualquer discussão prévia”, notou Mariana Mortágua, durante a audição do ministro das Finanças na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República. “Muito bem”, anuiu. E estabeleceu as prioridades do Bloco de Esquerda: revisão das carreiras dos funcionários públicos, resolução do problema da falta de pessoal e fim do congelamento salarial. “Os funcionários públicos perderam 10% do seu salário em 10 anos”, sublinhou.

Depois, abriu a discussão ao terreno do setor privado: “Não podemos admitir que a regra no privado seja a estagnação.” E, por isso, os bloquistas querem com “urgência” concretizar a alteração da lei laboral que permita efetivar a atualização salarial.

A resposta de Mário Centeno não foi direta, mas para bom entendedor meia palavra basta. O ministro recorreu aos números para concluir que os salários já estão a crescer.

“Numa recessão destruímos empregos abaixo da média, e por isso o salário médio sobe”, começou por explicar Centeno. “Quando há criação de 288 mil novos empregos, o efeito de composição é o inverso”, continuou, garantindo que “é muito difícil ter a média salarial a crescer” com esta dimensão de emprego. “E está a crescer 2%”, assegurou o ministro.

Para reforçar o raciocínio, Centeno notou ainda que em média, o crescimento mensal das contribuições para a Segurança Social tem sido de 7%, o que, simplificando, quer dizer que “o salário que os portugueses levam para casa no seu conjunto está a crescer 7%”, simplificou.

Por outras palavras, em termos médios cada trabalhador tem um salário 2% mais elevado, mas o conjunto da massa salarial, diz o ministro, está a subir 7% — o que se explica porque muitos trabalhadores que estavam no desemprego (e que por isso não tinham salário nem faziam descontos para a Segurança Social) recuperaram um posto de trabalho e viram a sua remuneração crescer.

Contribua. A sua contribuição faz a diferença

Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.

A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.

É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.

De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,

Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Aumentos na Função Pública? Mário Centeno diz que salários já estão a crescer

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião