Rui Rio avança com governo-sombra

  • Lusa
  • 7 Março 2018

O líder do PSD quer dar novas funções ao Conselho Estratégico Nacional, liderado por David Justino. Vai ter porta-vozes por áreas políticas e funcionar como um governo-sombra.

O presidente do PSD, Rui Rio, anunciou esta quarta-feira a criação de novos moldes para o Conselho Estratégico Nacional (CEN) do partido, presidido por David Justino, e estará dividido em 16 áreas temáticas, que terão porta-vozes e coordenadores nacionais. “O Conselho Estratégico Nacional tem dois objetivos: um é o órgão que muitas vezes se designou, mas não é isso exatamente que ele é, uma espécie de gabinete sombra ou governo sombra. É o órgão que vai ter os porta vozes e os coordenadores do partido para as mais diversas áreas”, explicou Rui Rio, apresentando aos jornalistas a anteproposta definida na reunião da Comissão Política Nacional e cujo regulamento será criado nos próximos 15 dias.

Por outro lado, acrescentou Rio, será este órgão que vai produzir o programa eleitoral para as legislativas de 2019. No entanto, Rio destacou que a maior mudança será “uma revolução na forma de funcionamento de um partido político”. “O que se pretende com este conselho é pôr todo um país a militar de uma forma diferente no partido. Militam da forma tradicional [em concelhias, distritais], mas se quiserem e não encontrarem espaço na militância tradicional, têm uma diferente: se são profissionais de saúde ou se se interessam por saúde podem militar na secção de saúde”, exemplificou, acrescentando que esta participação estará também aberta a independentes.

Assim, as 16 secções temáticas propostas são:

  • relações externas;
  • assuntos europeus;
  • reforma do Estado e descentralização;
  • defesa nacional;
  • finanças públicas;
  • justiça, cidadania e igualdade;
  • segurança interna e proteção civil;
  • agricultura, alimentação e florestas;
  • coesão do território, ambiente e natureza;
  • economia, inovação e internacionalização;
  • saúde;
  • solidariedade e bem-estar;
  • educação, cultura e desporto;
  • ensino superior, ciência e tecnologia
  • assuntos do mar.

As secções temáticas nacionais poderão ter a sua sede em diferentes cidades e ser replicadas pelas distritais que assim entenderem. Questionado se esta nova forma de organização não retira poder às distritais e aos deputados, que têm assumido essa função de porta-vozes, Rui Rio desvalorizou.
“Isto é um desafio às distritais, vamos ver quais são aquelas que têm mais dinâmica, mais presença no terreno e mais capacidade de trazer a denominada sociedade civil para o PSD”, afirmou Rio, admitindo, contudo, que algumas possam encarar esta novo órgão como “sombra à sua atividade”.

Por outro lado, o presidente do PSD disse não temer que possa ele próprio apagar-se com a diluição das posições do partido por tantos porta-vozes. “Cada um tem de cumprir a sua função (…) Eu estou capaz de fazer a síntese política daquilo que é atividade do partido”, disse.

Rui Rio defendeu que o partido “tem obrigação de ter pessoas especializadas” nas várias áreas, que considera que até aqui não tido. “Recorre-se muitas vezes aos deputados, que muitas vezes não são especialistas”, disse. Ainda assim, o presidente do PSD assegurou que “as funções dos porta-vozes parlamentares mantêm-se intactas”, além de que cada secção temática terá, obrigatoriamente, de integrar “um a dois representantes” do grupo parlamentar do PSD. “Nós somamos é capacidade do partido ter, fora do parlamento, um conjunto de porta-vozes”, defendeu.

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