Professores admitem greve financiada por quotas, depois do crowdfunding dos enfermeiros

  • ECO
  • 14 Fevereiro 2019

Os professores não desistem de pressionar o Governo para que proceda à contagem integral do tempo de serviço. E admitem agora realizar uma greve "radical" e financiada por quotas.

Os professores querem um fundo de greve para viabilizar formas de luta “radicais”, caso o Governo não reabra as negociações para a contagem da totalidade do tempo de serviço durante o segundo período de aulas, que decorre até 5 de abril. Mas admitem a angariação de fundos através de quotas entre os professores, ao invés do recurso ao financiamento colaborativo que foi usado pelos enfermeiros nas duas greves cirúrgicas.

Segundo o Diário de Notícias (acesso condicionado), as escolas começam já esta quinta-feira a sentir os efeitos do descontentamento dos professores, por causa da greve geral da Função Pública. Mas será apenas o início de uma nova fase de protesto pela recuperação integral do tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira, depois do choque frontal com o Governo e do veto em Belém do diploma que previa a contagem parcial.

Já na semana que vem, os professores deverão entregar no Parlamento um abaixo-assinado com mais de meio milhar de assinaturas, onde reiteram o que têm vindo a defender até aqui. Depois, vão ser colocadas em cima da mesa novas formas de luta, como é o caso de uma greve financiada pelos próprios profissionais, através de quotizações. É uma hipótese que, segundo o jornal, está a ganhar força, depois de os enfermeiros terem angariado mais de 700 mil euros para financiar as greves cirúrgicas através de uma plataforma de crowdfunding.

O método de angariação de fundos através de quotas serviria para contornar as dúvidas que têm sido levantadas quanto à origem dos donativos que têm financiado os protestos dos enfermeiros. “Aqui não temos de andar a explicar de que fontes externas vem o dinheiro”, disse Mário Nogueira, dirigente da Fenprof, ao mesmo jornal. Segundo o Diário de Notícias, no limite, se as negociações não forem reabertas pelo Governo durante o segundo período do ano letivo, os alunos do 12.º ano poderão mesmo ficar sem aulas no terceiro período.

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