Brexit: “De repente, sentimos que não somos bons o suficiente”

Stine Brahm Lauritsen é investigadora de tendêcnias no London Trend Service e falou com o ECO em Londres sobre o Brexit que poderá acontecer esta semana. Ou não.

Stine Brahm Lauritsen é trends research no London Trend Service.

“O Brexit é uma questão emocional para tantas pessoas, seja qual for o lado do argumento em que estão. Este país calmo, educado e bem-comportado foi virado de cabeça para baixo, as emoções estão à flor da pele nos Brexiteers e nos que defendem a permanência”. A frase é de Stine Brahm Lauritsen, trends research no London Trend Service.

Têm sido dias emocionantes, ainda que de incerteza. Mas esta semana das duas, uma: na sexta-feira o Brexit acontece ou será adiado, e pelo que se sente em Londres, a ser, será por um longo período.

“Vivemos tempos muito estranhos, neste momento, no Reino Unido” começa por dizer Stine Brahm Lauritsen. A opinião vem do que observa já que é particularmente interessada nas emoções das pessoas e nas decisões que tomam de acordo com os seus sentimentos (o que faz parte do seu trabalho diário), mas também se baseia no que ouve dos amigos e colegas, britânicos ou europeus. Stine é dinamarquesa e vive nesta ‘cosmopolitan bubble’, como define Londres, há mais de 20 anos e embora não tenha sido elegível para o referendo, confessa que é uma “forte defensora pela permanência na União Europeia”.

“Como os londrinos votaram predominantemente para permanecer na UE, o clima, de momento, na cidade é de desânimo. A cada dia que passa, enquanto o governo não toma uma decisão clara, a insegurança em relação ao futuro está a crescer e a criar ansiedade”. Segundo a investigadora, este sentimento de preocupação, está a criar o “Transtorno de Ansiedade Brexit”, que afirma ser um diagnóstico de saúde mental real, afetando os dois lados, de quem defende a saída e a permanência. As preocupações, diz, têm a ver com o medo de perderem o emprego, o impacto que terá nas viagens, o terem que abandonar o país e, cada vez mais, preocupam-se com a escassez e aumentos de custo de alimentos ou de remédios.

Um estudo realizado em março com mais de 2.000 pessoas sugeriu que: 64% das pessoas sentem que a ansiedade relacionada com o Brexit está a afetar negativamente a saúde mental dos britânicos; que as mulheres (70%) são mais propensas que os homens (58%) na preocupação com o efeito do Brexit na saúde mental; 83% dos inquiridos estão “fartos” de ver o Brexit nas notícias; 84% das pessoas estão mal impressionadas pela forma como ambos os partidos estão a resolver a questão Brexit.

Entre os que defendem a permanência, diz que há “um forte desejo de um segundo referendo com a opção de se votar por um acordo razoável e realista — que até agora Theresa May não parece conseguir” mas, para já, o que o Brexit conseguiu foi criar diz “foi uma sociedade fracionada, dividiu amigos e famílias e alimentou grupos de extrema-direita. Mas acredito que se houvesse uma segunda votação, e se o Brexit ainda fosse a opção mais votada, seria mais fácil para os que querem a permanência aceitarem a decisão da maioria, já que seria pelo menos uma decisão mais informada” justifica.

Nesta #brexciting week, em que a incerteza permanece, Stine não consegue apontar uma única coisa boa se o Brexit avançar. Admite que o que mais sentiria falta seria o sentido de liberdade — de viajar, de trabalhar. Mas diz que há assuntos mais importantes em jogo do que as viagens ou o aumento do preço dos bens importados. “Falta boa liderança e governação no país, neste momento. Muitos dos que defendem a permanência já estão apenas à espera ‘que isto acabe’, embora saibam que as consequência para a economia do Reino Unido provavelmente serão prejudiciais. E acrescenta: “um grande número de líderes Brexiteers foram educados na Universidade de Oxford, onde estudaram a arte da persuasão, e esse foi o seu principal objetivo com a campanha Brexit: eles não estavam interessados ​​na política real de deixar a UE assim que se atingiu o resultado”.

Não conheço uma única pessoa que defenda a permanência que pense que May fez um bom trabalho até agora. E duvido que haja muitos Brexiters a pensar isso também. Em vez de apenas alegar o Artigo 50 sem qualquer análise adicional do resultado do referendo, May deveria ter investigado em profundidade porque razão a maioria queria “retomar o controlo”. Porque foi tão importante restringir a imigração especificamente da UE? Porque foram “os bons e velhos tempos quando a Grã-Bretanha era um super potência” tão glorificados? E porque razão os eleitores do Brexit vieram de fora das grandes cidades? E o que “assumir o controlo de volta” realmente significa para as pessoas que vivem fora da bolha metropolitana?

Enquanto cidadã dinamarquesa, mesmo depois de ter obtido o “Settled Status” e de ouvir os políticos repetidamente dizerem “it will all be OK”, a trend researcher confessa-se preocupada quanto ao futuro. “De repente, sentimos que não somos ‘bons o suficiente’ para ficar no Reino Unido. Eu não fui exposta a nenhum ataque direto, mas em Londres a hostilidade aos ‘estrangeiros’ está a sentir-se numa crescente atmosfera xenófoba”.

Ainda que nas ruas, conta, não se perca o tão reconhecido sentido de humor britânico.

Em França, as pessoas vestem coletes amarelos, gritam e revoltam-se nas ruas – em Londres, fazem os seus próprios cartazes com declarações irónicas e marcham educadamente enquanto bebem chá de uma garrafa térmica. Na Marcha a 23 de Março, havia cartazes propositadamente mal feitos com slogans como “o Brexit será tão mau quanto este cartaz”, havia uns em que as últimas palavras estavam a cair com a mensagem “isto não foi muito bem pensado thr.

 

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