Não há acordo com motoristas. Governo define serviços mínimos, motoristas vão recusar descargas e ANTRAM pede requisição civil preventiva

A reunião para a definição dos serviços mínimos na greve dos motoristas terminou sem acordo. Motoristas transmitiram porém que não farão horas extra nem descargas. A bola está do lado do Governo.

A reunião entre a ANTRAM e os sindicatos de motoristas para definição dos serviços mínimos a vigorar na greve convocada para 12 de agosto por tempo indeterminado terminou sem acordo entre as partes. Caberá agora ao Governo, através da Direção-geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), definir quais os serviços que os motoristas serão obrigados a cumprir.

André Matias de Almeida, representante da ANTRAM nas negociações, avançou à saída da reunião que as partes não conseguiram sequer uma aproximação ligeira, realçando que as empresas “apresentaram uma proposta responsável, por considerar que a proposta dos motoristas não era suficiente” para mitigar o forte impacto que se estima que a paralisação de 12 de agosto terá na vida de portugueses, mas também turistas. Os sindicatos propunham assegurar não mais de 25% do trabalho como serviços mínimos, os patrões propunham 70%.

“Tentámos que revissem os serviços mínimos”, avançou ainda, “e a resposta foi a que não só mantinham os serviços mínimos como não irão fazer trabalho suplementar e, sobretudo, que se recusarão a fazer descargas durante a paralisação”, explicou o representante da ANTRAM. “Nem farão descargas de mercadorias nem de combustíveis, só vão conduzir… Lamentamos profundamente que não tenham tido qualquer tipo de abertura e a postura arrogante” com que estiveram na reunião, disse Matias de Almeida.

“Nós propomos 300€ de aumento em 2020, será o maior aumento desde o 25 de abril… e o que nos respondem é que ‘vão rolar cabeças'”, acrescentou.

Dada a postura dos sindicatos, a falta de flexibilidade que identificou em todas as reuniões e, acima de tudo, o forte impacto que a greve de camionistas de abril teve no país, André Matias de Almeida foi mesmo mais longe e recomendou ao Governo que avance com uma requisição civil preventiva para a greve de agosto.

“O Governo tem um dever legal de apresentar serviços mínimos que garantam o direito à greve mas que, por outro, criem condições para que o país não pare como aconteceu na última greve. Face ao que aconteceu na última greve, se esta greve não justificar o avanço de uma requisição civil preventiva, então nenhuma exigirá“, rematou.

“Os sindicatos conhecem o impacto que a anterior greve com 40% de serviços mínimos e apresentam-se na comunicação social a dizer que querem uma greve que provoque ainda mais impacto e propõem quase metade dos serviços mínimos… Não só não é responsável, como é revelador do que querem para a greve: Parar tudo”, acrescentou.

Questionado sobre a postura dos sindicatos nas reuniões, e se no entender da ANTRAM estes estariam a forçar a greve, o representante das empresas de transporte concordou com a leitura. “É difícil negociar com quem se apresenta em reuniões com tal timbre e intransigência”, começou por responder.

“Foi explicado aos sindicatos que as empresas não têm capacidade de pagar mais 300 euros em 2020 e depois avançarem com mais aumentos de 100 euros em 2021 e 2022… Que estão a forçar a greve parece evidente, na justa medida em que esta greve é por algo de 2021 e 2021, não de 2020. Se isto não é forçar uma greve”, acrescenta.

Foi explicado aos sindicatos que empresas não têm capacidade de pagar mais 300 euros. Forçar greve parece evidente na justa medida em que greve se deve a 2021 e 2022, não se deve a 2020, se isto não é forçar uma greve, estou absolutamente convicto que é, não é reivindicação para este ano, esta greve podia ser feita em 2021 ou 2022″, concluiu.

Até ao momento nenhum representante dos sindicatos que convocaram a greve falou aos jornalistas.

(Notícia em atualização)

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